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segunda-feira, 17 de agosto de 2009

OS TRÊS IMPERATIVOS DE CRISTO - Parte 5 Final

4. Ide – O Trabalho do Líder.

O terceiro e último imperativo deixado por Jesus aos seus seguidores foi:


“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” Mc 16.15


“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” Mt 28.18.


Ainda que o Ide é usado especificamente para falar sobre missões e evangelismo, quero aqui empregá-lo também para liderança. Primeiro, porque, estes que receberam o Ide de Cristo foram os líderes da igreja (e provavelmente a melhor liderança cristã que já existiu). Depois porque a igreja e sua liderança deve estar constantemente envolvida com ganhar vidas para o reino de Deus.


Mas quero me prender mais especificamente para o texto do evangelho de Mateus, para melhor aplicá-lo a liderança.


Enquanto que no evangelho de Marcos o Ide parece ser algo mais simples e de rápida execução, pois ali a referência parece ser apenas pregar o evangelho, o evangelista Mateus nos dá um significado mais amplo: Ide e Fazei Discípulos.


O Ide tem objetivo além de simplesmente colocar algumas pessoas na igreja, de aumentar o número de membros de uma congregação, de colocar uma bíblia debaixo do braço de uma pessoa. E isso tem sido a meta de muitos líderes. Aumentar o número. A quantidade para provar a eficiência (ego) de sua liderança. Nesse quesito parece que Jesus seria reprovado, já que seus seguidores, realmente firmes, não ultrapassou doze pessoas (claro que os setenta não devem ser esquecidos Lc 10.1, e os cento e vinte que estavam no cenáculo não caíram do céu At 1.15). Mas mesmo assim o texto de Jo 6. 26, 27, 66, 67, deixa evidenciado que o objetivo de Jesus nunca foi ter uma multidão de seguidores que não tivesse um real comprometimento com ele.


O propósito do Ide apresentado por Mateus é Fazer, tal qual foi o propósito primário de Cristo sobre a vida de seus discípulos conforme apresentado no inicio desse estudo: “vinde após mim, e eu vos Farei”.


Conforme escrevi a respeito do Vinde, esse imperativo está estreitamente relacionado a ser discípulo. E as palavras de Jesus sobre o Ide confirma esse aspecto: Ide e fazei discípulos.


Dessa forma o Ide se liga absolutamente com o Vinde formando um circulo rotativo

Diagrama de ciclo

Aquele que quer ser um líder aprovado por Deus deve se espelhar no exemplo do maior líder que a humanidade já conheceu – Jesus. E uma coisa ele soube fazer com perfeição: formar, fazer discípulos. E é justamente isso que ele ordena: fazer, formar discípulos!


Hoje temos uma liderança (em sua maioria) fraca que não experimentou e nem entendeu os três imperativos de Cristo, e conseqüentemente um crescimento desordenado da igreja. As palavras de John White e Ken Blue a respeito são fortes:


“As igrejas se assemelham a hospitais onde almas doentes pelo pecado recebem aspirina e diversão que possam distraí-las das dores de suas almas. Deus nos perdoe. Estamos mais preocupados com número do que com santidade.

O crescimento da igreja é, em grande parte, crescimento canceroso, e nos nem percebemos isso!” (WHITE e BLUE, 1993, p.30).


Isso nada mais é que o reflexo de um Ide mal executado, por não ter havido um Ficai e um Vinde satisfatório.


A palavra “fazei” do texto de Mateus é altamente significativa. Mas como teremos líderes fazendo se nunca foram feitos?! Como teremos líderes formando discípulos se nunca estiveram no discipulado de Cristo. Realmente quando penso nessa situação atual da igreja tenho que concordar com meu pastor de teologia, José Faustino, quando diz que a igreja tem que fechar para balanço! Estamos enviando aqueles que não vieram e nem ficaram.


Existem aqueles que batem o pé, e afirmam que o líder só precisa de poder, pois Jesus era um simples carpinteiro, e os apóstolos pescadores sem nenhuma instrução. Isso nada mais é que o engano do diabo expresso na ignorância do povo que perece por falta de conhecimento. Jesus foi chamado de Rabi (mestre, raboni) não sem motivos. Diversas vezes o vemos nos evangelhos extravasando um rico conhecimento de todo Antigo Testamento (Lei, Salmos e Profetas), ex: Lc 24.27 e 44; Mt 4. 4,7,10 (Assim como os apóstolos em Atos e nas suas epístolas). Além do que os judeus desde a infância aprendem a ler e escrever na Lei. É notável que Jesus, já na infância queria aprender com os doutores da lei, Lc 2.46,47. Quanto aos discípulos um exemplo me basta:

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admirara-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus”. At 3.13.


Apesar deles não terem a formação rabínica dos homens do Sinédrio, assim como o próprio Jesus (Jo 7.15) eles foram reconhecidos como alunos da escola de Jesus. E nós? Nossas palavras são suficientes para que se perceba de qual escola pertencemos?


No texto do evangelho de João, citado acima, se examinarmos o contexto, vamos verificar que Jesus estava ensinando no pátio exterior Templo, v.14, e exatamente nesse local “diversos rabinos tinham suas ‘barracas de ensino’” (BRUCE, 1997, 155). Mas seus ensinamentos não eram fundamentados sob a autoridade de nenhuma das famosas escolas rabínicas da época, antes a autoridade estava nele mesmo, Mt 7.29. Quando os judeus admirados dizem que Jesus não tinha estudado, não é que ele não soubesse ler ou escrever, mas se referiam a habilidade e conhecimento que ele possuía da Lei, mesmo sem ter a formação nas escolas rabínicas. O texto original traz a idéia de que Jesus foi visto como um homem simples, que aparentemente não seria capaz de ser um intérprete das Escrituras.


“Tudo quanto pudessem discernir, ao olhar para ele, lhes diria tratar-se de ‘uma pessoa da terra’ (hebraico: ‘am há-aretz, inculta, que nada sabia da Lei de Moisés, cf. 7:49). Todavia as palavras de Jesus desmentiam tais conclusões”. (MICHAELS, 1994, p.142).

“Seu conhecimento de letras não significava sua habilidade de ler e escrever; isto não era raro entre os judeus. Significa seu domínio do aprendizado sacro. A palavra traduzida por letras (grammata) foi usada em 5.47 para indicar os escritos de Moisés. A pergunta dos judeus aqui, no entanto, não é uma referência direta àquelas palavras de Jesus (como às vezes é sugerido), porém tem mais a ver com o conteúdo dos seus discursos no templo nesta ocasião”. (BRUCE, 1997, 156).


Já no texto de Atos, quando Pedro e João são chamados de iletrados, “o sentido é que lhes faltava o treino acadêmico formal dado aos escribas” (WILLIAMS, 1996, P.103). Como já mencionamos Jesus não falava sob autoridade de nenhum rabino, mas os apóstolos, falavam em nome de seu Rabi, Jesus.


O que pretendo confirmar é que o líder precisa e necessita do Vinde, do Ficai e do Ide. Eu posso enxergar essas três características no texto de Atos que discutimos acima: O Vinde, que se relaciona a aprender e ser feito semelhante a Cristo, está no fato deles, Pedro e João, se assemelharem a Jesus (cf. At 4.13 e Jo 7.15) e assim serem conhecidos. O Ficai, está no fato, de apesar de estarem numa situação de impor medo, At 4.5-7, (vale lembra que poucos dias atrás seu Mestre fora cruelmente assassinado), falaram com uma espantosa autoridade e eloqüência, pois estavam “cheio do Espírito Santo”, v.8. Já o Ide, está presente em todo contexto, na mensagem que pregam, na cura realizada, e no crescente número dos creram em Cristo, v.4.


A ordem é especifica: Fazer Discípulos. Ser discípulo é entender o evangelho e estar compromissado com ele. O papel da liderança é e deve ser esse. As igrejas serão muito mais prósperas, muito mais avivadas, muito mais missionárias, muito mais unidas, se os líderes se preocuparem com a formação de seus membros. Jesus preparou bem doze, e eles se multiplicaram em milhares, em milhões. É melhor uma igreja que tenha poucos membros bem formados no cristianismo, que amanhã poderão formar outros cristão verdadeiros, do que termos uma igreja super lotada de pessoas que sabem todas as simpatias pentecostais e neo-pentecostais (sal grosso; rosa; tirar palavra; água ungida; gritar glória e aleluia para Deus agir; etc.), mas não entenderam ainda o que é adoção, expiação, justificação, etc. Nossos líderes fazem mais campanhas da vitória, da prosperidade, da cura, da libertação, do que palestras para casais, para jovens, sobre como criar filhos, sobre namoro, casamento etc. Nisso fica patente qual é a prioridade desses líderes. Fazem cultos de batismo no Espírito Santo, sem nunca terem ensinado quem é o Espírito e o que é o batismo. O resultado é a igreja atual, que “marcha para Jesus” para mostrar o grande número de crentes que existe no Brasil, mas não fazem um movimento verdadeiramente transformador de opiniões.


Liderar é fazer! Alguém já mencionou que a igreja é o reflexo do pastor. E realmente a incumbência de um líder é fazer com que seus liderados sejam pessoas melhores, cristãos mais semelhantes a Cristo. Foi isso que Paulo quis dizer em I Co 11.1, “sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo”. Mas o exemplo, que talvez, melhor se encaixe no que eu quero dizer está em Gálatas: “meus filhos, por quem de novo sofro as dores de parto, até que ser Cristo formado em vós” Gl 4.19. Paulo queria formar seus convertidos à semelhança de Cristo.

Existe hoje uma grande preocupação de ter (muitos membros, muitos templos, etc.), mas pouquíssima em manter e formar (ser) estas pessoas que as igrejas recebem.


5. Conclusão


Infelizmente o que está faltando entre nossos líderes é a completude do que estamos discutindo. Muitos estão cheios de poder, mas sem nenhuma instrução. Outros têm muito conhecimento, mas estão vazios de poder. Outros conhecem bem as escritura, mas suas vidas não foram feitas semelhantes à de Cristo. Eu quero deixar claro que existem muitas outras coisas que precisam ser consideradas para uma liderança acima da média, mas eu tenho certeza que se o que está escrito aqui for considerado, um enorme passo terá sido dado. Além do mais, estratégias e maneiras de trabalhar devem ser adotadas levando em consideração o tempo e o espaço (a época, a cultura, o momento, a região, etc.), porém, as três diretrizes deixadas por Jesus, discutidas nesse trabalho, se encaixam (devem) em qualquer tempo e espaço.


6. Bibliografia


JONES, Laurie Beth. Jesus, o Maior Líder Que já Existiu. Ed. Sextante. Rio de Janeiro, RJ. 2006.

BOYER, Orlando. Espada Cortante v.1. Ed. CPAD. Rio de Janeiro, RJ.

ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. Ed, CPAD. Rio de Janeiro, RJ. 1998.

TASKER, R. V. G. Mateus. Vida Nova, São Paulo, SP. 1988.

EVANS, Craig A. Lucas. Vida. São Paulo, SP. 1996.

MORRIS, Leon L. Lucas. Vida Nova, São Paulo, SP. 2000.

MARSHALL, I. Howard. Atos. Vida Nova, São Paulo, SP. 1999.

HORTON, Stanley M. O Livro de Atos. Vida. São Paulo, SP. 1983.

WILLIAMS, David J. Atos. Vida. São Paulo, SP. 1996.

GUTHRIE, Donald. Gálatas. Vida Nova, São Paulo, SP. 1992.

Minidicionário Houaiss. Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, RJ. 2004.

GRAHAM, Billy. O Espírito Santo. Vida Nova, São Paulo, SP. 1983.

FABIO, Caio. Avivamento Total. Vinde, Niterói, RJ. 1997.

SHEDD, Russell. QUEIROZ, Edison. COSTA, J. Wellington. Aos que Ainda Não Ouviram. Ed. Sepal. São Paulo, SP. 1998.

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