História e Bíblia

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sábado, 29 de agosto de 2009

Os males do Capitalismo na Igreja de Cristo

Introdução


A Importância de Conhecer

Antes de empregarmos qualquer projeto, é de suma importância ter o conhecimento, minuciosamente, de todo o processo pelo qual empregaremos nosso tempo e forças. Em uma guerra um general terá uma grande probabilidade de vitória se conhecer pelo menos duas coisas fundamentais, primeiro quais são suas reais forças e capacidades (dele e de seu exército), e segundo quais as reais forças e capacidades de seus adversários.


Conhecer é ter:

  1. Consciência de quem somos.
  2. Consciência do que teremos que enfrentar

Tal pensamento pode ser ilustrado nas próprias palavras de Jesus:


“Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: Este homem começou a construir e não pôde acabar. Ou qual é o rei que, indo para combater outro rei, não se assenta primeiro para calcular se com dez mil homens poderá enfrentar o que vem contra ele com vinte mil? Caso contrário, estando o outro ainda longe, envia-lhe uma embaixada, pedindo condições de paz.” (Lc 14.27-32)


Portanto para formação de uma liderança eficaz é necessário que antes de tudo tomemos consciência real de quais são os atuais obstáculos, adversidades e problemas da igreja. Além é claro, de ter plena consciência do que ou quem é a igreja, mas no momento estaremos focando as contrariedades da igreja.


Muitas são as adversidades a serem observadas e analisadas e faltaria espaço para discuti-las todas, porém citaremos algumas, talvez das mais comuns de nossas igrejas brasileiras.


Cabe ainda expor que antes de buscarmos soluções é necessário conhecer o problema, pois um médico não pode receitar um remédio sem antes ter diagnosticado a doença! Logo, estaremos não propondo estratégias miraculosas para uma liderança que cure a igreja, mas lançando luz onde se encontra focos de ação adversária na sagrada igreja de Cristo.


1. O Materialismo, os reflexos do capitalismo na igreja.


Na identificação das causas das misérias que padecem, ressalta como a principal, embora não a única, o sistema capitalista. Mais que o sistema é seu espírito de acumulação individualista, sua irresponsabilidade social e insensibilidade para com o ser humano, tratado como mera força de trabalho leiloado no mercado, que é denunciado como iníquo e contrário ao desígnio de Deus” (BOFF, 2004, p. 139).


“Sem compreendermos o capitalismo não podemos compreender a sociedade humana da maneira que ela atualmente existe” (Bernard Shaw – revista Filosofia, editora escala ano III nº. 34 p.21)


Por materialismo quero me referir não ao conceito filosófico, mas à “maneira de viver daqueles que pensam apenas nos prazeres físicos” (KOOGAN, 1999, p.1045).

Capitalismo é o “sistema econômico, político e social que procura sistematicamente a mais valia graças à exploração dos trabalhadores pelos proprietários dos meios de produção” (KOOGAN, 1999, p.318).


O capitalismo mudou o modo de vida das pessoas ao longo do processo da Revolução Industrial e tecnológica que atingiu e atinge os mais diferentes pontos do mundo.


Algumas sentenças são conhecidas do capitalismo: ter; a competição; a luta para se ter mais bens materiais a qualquer custo; o acúmulo de riquezas; o individualismo; a busca de lucros em tudo o que se faz; a exploração; o marketing; o imperialismo; o materialismo; consumismo, a transformação de tudo em mercadoria, etc.


Uma pessoa pensa de acordo com as condições de tempo e espaço a que pertence, “O modo como o indivíduo seja educado a pensar ou como sua cultura o torne propenso a pensar determina as práticas do dia a dia, tanto no plano individual quanto social” (Orientação pedagógica, Dom Bosco). Logo, por exemplo, alguém nascido num país mulçumano será propenso a pensar e agir de acordo com o pensamento islâmico, já alguém que tenha nascido numa comunidade judaica do século I, teria outras condições determinadas para formar seu pensamento.


É claro que alguns poderão tentar encontrar qualidades no sistema capitalista, porém, agora nos cabe analisarmos, ainda que brevemente, o sistema econômico, social e político em que nossas igrejas estão inseridas e até que ponto ele tem refletido sobre elas e seus líderes.


I. O capitalismo e sua interferência nas formas que nos relacionarmos com Deus.


Como já citamos o capitalismo tem influenciado o modo de vida das pessoas. E isto também se refere à igreja.


I.a. Nas orações

Infelizmente, facilmente podemos constatar, que a maioria das pessoas que vão a igreja hoje tem buscado algum beneficio físico (material). A maior parte do tempo que se gasta em oração é para pedir, e em geral para benefício próprio: para minha vida, para meu emprego, para minha casa, minha família, minha igreja, meu bairro, minha cidade, meu país.


Como são as campanhas realizadas nas igrejas de hoje? Quais os temas mais freqüentes? Prosperidade; mesa farta; pede o que queres; portas abertas; restauração financeira; vitória financeira; etc. Casa própria, carro e prosperidade tem sido o projeto de vida de muitos crentes hoje.


I.b. Nos “louvores”

Não quero depreciar ou questionar a sinceridade dos cantores e compositores evangélicos, mas ressaltar que os indivíduos de uma sociedade são filhos dela e são formados a pensarem de acordo com esta sociedade – pelo menos até que se libertem pelo conhecimento da verdade.


Qual têm sido os temas mais comuns das canções evangélicas? As atuais letras das músicas ditas gospel têm tratado do que? Facilmente podemos verificar que um considerável número desses louvores fala de conquista, vitória financeira, repreender o devorador, ser exaltado, ser posto por cabeça, ter a multiplicação – “cem vezes mais” –, alcançar promessas, etc.


Comparemos por exemplo o teor das letras de hinos antigos, como os da Harpa Cristã ou do Cantor Cristão, com o pensamento que é expresso em considerável quantidade de atuais ditos louvores.


I.c. Nas pregações

Este tem sido o marketing evangélico: aceite a Jesus e não sofra mais!

Este é o tipo de chamaris preferido de muitos líderes. Prometer aquilo nem mesmo Jesus prometeu. E certamente numa sociedade carente como a nossa é de se esperar que igrejas se encham de pessoas atrás desse “não sofra mais”. A igreja tem sido um caminho de busca de realização do sonho capitalista.


I.d. Nos dízimos e ofertas

Dar dízimo e oferta para receber cem vezes mais tem sido o fator motivador de muitos contribuintes. Votos como “vou ajudar a igreja caso ganhe isso ou aquilo” são fatos comuns em muitas igrejas. Até mesmo quem ajuda um necessitado fica na expectativa de alcançar algum favor de Deus. É a tentativa de barganhar com Deus.


II. Em busca do padrão de vida capitalista.

O que é necessário para se viver bem e feliz? O que as pessoas têm buscado em nossas igrejas para se tornarem felizes?


Viver bem e feliz, para muitos dos freqüentadores das igrejas de hoje é o sucesso financeiro, e isto é um pensamento capitalista. Pastor sem carro importado não é abençoado, irmão desempregado não é abençoado.

No livro “O homem de hoje”, Patrick Moley observa:


“A teoria econômica predominante durante os últimos quarenta anos mais ou menos tem sido o consumismo. O dicionário define o consumismo como ‘a teoria econômica que diz ser benéfico um consumo progressivamente maior de bens’. É verdade? O consumo progressivamente maior de bens é benéfico?” (MORLEY, 1995, p. 15).


“Hoje, uma falta de contentamento permeia a vida do consumidor em geral. Isso se deve a fato de quarenta anos de consumismo e influência da mídia terem causado uma mudança básica de valores. O desejo por coisas parece ter-se tornado mais importante que ter uma filosofia significativa de vida”. (MORLEY, 1995, p. 19).


O referido autor ainda observa que o estilo de vida que temos buscado é o padrão de vida da mídia, onde os bens matérias são os frutos da felicidade. O resultado disso é a frustração de passar a vida toda na busca frenética pelo modo de vida idealizado pelo capitalismo e ao fim não ter galgado nem um décimo daquilo que se idealizava.


III. O individualismo e competitividade das igrejas

O tipo de igreja e liderança que temos encontrado hoje, muitas vezes tem sido aquela que não pensa no próximo, mais semelhante ao sacerdote e ao levita, que “passam de largo”, do que ao bom samaritano, Lc. 10.30 – 37.


Temos presenciado verdadeiras competições entre igrejas e ministérios para ver quem tem o templo maior, mais bonito e moderno, o melhor programa de rádio e televisão, o maior número de dizimistas, o maior número de membros, a melhor banda, o melhor coral, etc.


IV. A obra social não cabe no sistema capitalista

Atividades que não geram receita, status, fama, não cabem no sistema capitalista. Igrejas evangélicas têm conquistado atualmente um espaço fenomenal na política, na sociedade e na economia. Os patrimônios das igrejas são de dar inveja a muitas instituições. A receita gerada pelos dízimos, ofertas e contribuições são notáveis, (claro que me refiro de maneira genérica e não específica).


Mas ao mesmo tempo em que vemos o enriquecimento das igrejas e seus templos, quase não se percebe uma construção sólida no campo social. Crentes precisam freqüentar a “santa” casa de misericórdia, pois quase não há hospitais evangélicos; nossas crianças participam da festa de “São João” e Halloween, pois onde estão os colégios cristãos?! Tantos e tantos cristãos mendigam as ajudas do tipo “fome zero”, ou então pegam seu quilo na igreja – quilo de alimento na maioria das vezes doado por algum outro membro da igreja, já que nesse tipo de campanha as igrejas não gastam nenhum centavo dos dízimos e ofertas –. Procuremos então pelos asilos, orfanatos, casas de recuperação, etc. Mesmo onde se encontra este tipo de trabalho, comparemos a proporção de dinheiro gasto com embelezamento dos templos, viagens tolas e inúteis, para alguém pregar em Israel (e dizer que esta falando de onde Jesus estava) ou ir lá buscar uma terrinha santa, com o que se tem feito em beneficio social.


V. O que fazer?

Essa é a nossa sociedade da qual somos, e é dela que vêm os membros de nossas igrejas, e os pastores que a administram. Logo como devemos lidar com um público que tem buscado as igrejas para tais fins capitalistas? E como ser um líder entre tantos líderes contaminados pela ideologia capitalista?


VI. Um líder bíblico.

Primeiramente devemos ser bíblicos. O que quero dizer é que o líder cristão é aquele que vai ser modelo de seus seguidores, e estes devem ver um exemplo bíblico a ser imitado:


“Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos pregaram a palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim da sua vida, imitai a fé que tiveram. Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre. Não vos deixeis envolver por doutrinas várias e estranhas, porquanto o que vale é estar o coração confirmado com graça e não com alimentos, pois nunca tiveram proveito os que com isto se preocuparam.” (Hb 13. 7 – 9).


Qual é a forma bíblica de se relacionar com Deus? O líder é aquele que deve apontar para seus seguidores tais maneiras. Devemos questionar se nossas orações, cultos, modo de dizimar e ofertar, louvores tem sido genuinamente bíblicos.


A liderança precisa ter as respostas. A responsabilidade de liderar é muito grande, pois o líder guia, conduz e faz um povo, ou seja, colabora diretamente para a forma de pensar das suas ovelhas.


“Primeiramente, nós somos cristãos porque somos de Cristo. Se somos cristãos, a referência é Cristo, e não há nenhum outro. Não é um homem, nenhum apóstolo secundário, não é um missionário fabuloso que viveu na Índia – é Jesus a Referência.

Em segundo lugar, nós somos evangélicos. E, se somos evangélicos, é porque vivemos de acordo com o Evangelho. De maneira que a referência de Jesus e do Evangelho está diante de nos.” (FABIO, 1997, p.107)


Qual tem sido a base do nosso ensino? Em que fundamentamos ou tiramos as conclusões que despejamos sobre as vidas que nos foram confiadas?


Não podemos aceitar sermos como os demais somente porque os pastores antes nós eram assim. Não podemos baixar a cabeça diante de um pensamento predominante, antes colocá-lo em xeque diante da Escritura Sagrada. E esse foi o ponto chave da Reforma Protestante!


VII. Um líder que não teme dizer a Verdade

Muitos líderes cristãos até tem consciência da realidade, porém não a denuncia abertamente, pois temem o esvaziamento de suas congregações. Outros usam do pensamento capitalista para povoarem suas igrejas de maneira fácil. Campanhas de cura e prosperidade são grandes atrativos! É mais fácil gerar uma balança financeira favorável no sistema capitalista, pois dar dízimos, oferta e fazer votos visando enriquecimento ou benefícios materiais são incentivos melhores do que uma proposta simples de gratidão e amor a causa da obra de Deus.

Entretanto observemos as palavras de nosso Senhor:


“e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (Jo 8.32)

Notemos que não é a verdade que liberta, mas o CONHECIMENTO DA VERDADE. Somente quando esta verdade se torna conhecida, ou seja, quando um indivíduo toma consciência dela é que ele se torna liberto.


“Permanecer nas palavras de Jesus significa aderir ao seu ensino – orientar a vida por ele. O poder com que ele falava já levara alguns dos seus ouvintes a crer nele, mas ser discípulo é algo constante; é um estilo de vida. Um discípulo verdadeiro esta em sintonia com a instrução de seu mestre, e a aceita, não cegamente, mas com inteligência. A instrução do mestre torna-se regra de fé e pratica do discípulo (...). uma crença falsa mantém a mente das pessoas em escravidão; a verdade a liberta. A verdade, por sua própria natureza, não pode ser imposta de fora, nem pode ser autenticada por algo fora dela. Ou vemos a verdade pelo o que ela é, ou não.” (BRUCE, 1997, p. 173).


Meditemos na atitude de Jesus diante da possibilidade de ter uma multidão favorável, mas que não conhecia a verdade, Jo 6. 22 – 70.


Era uma multidão, que estava atrás de Jesus por causa do pão multiplicado – como muitas igrejas hoje. Mas para Jesus o mais importante era que eles conhecessem a verdade. Quando ele a expôs, quase todos o deixaram, vv. 60 e 66. Porém os que ficaram “conheciam” realmente a verdade, vv.68 e 69. (note a palavra temos crido e conhecido, v.69).


VIII. Um líder comprometido com a causa social

Esse é campo difícil, árduo e que provavelmente não resultará em louvor, status e retorno econômico, antes são sinônimos de gastos financeiros, demanda de tempo e acúmulo de preocupações e mais problemas. Mas um verdadeiro líder acima da média deve cumprir esta exigência.


Mais uma vez quero me reportar à parábola do bom samaritano e seu contexto:


E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo. (Lc 10. 25 – 37, negrito meu).


Primeiramente notemos que a lição é aplicada a um líder em Israel, um interprete da Lei. E segundo, teologicamente, como afirma o próprio Jesus, ele respondeu corretamente. Mas ainda lhe faltava praticar aquela verdade conhecida. Assim como o Jovem rico para quem Jesus disse “Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me.” Lc 19.22. Um líder desatento com as causas sociais que o cerca pode muito bem ouvir de Cristo, “ainda te falta uma coisa” e “vai procede tu de igual modo”.


O pastor Martin Luther King, (premio Nobel da Paz, 1964), assim visualizou a igreja:



No meio de uma luta ingente para livrar nossa nação da injustiça social e racial, ouvi muitos pastores afirmarem: ‘Esse são problemas sociais com que o Evangelho realmente não se preocupa’. Observo que muitas igrejas se comprometeram com uma religião inteiramente além-mundo, que estabelece estranha diferença, contraria à Bíblia, entre corpo e alma, entre o sagrado e o profano. (...) Andei pelo Alabama e pelo Mississipi e por todos os estados sulinos. Nos dias sufocantes de verão e nas manhãs frescas do outono, contemplei as belas igrejas do Sul, com suas torres altivas apontando para o céu, e verifiquei os sólidos perfis dos edifícios de educação religiosa. Repedidas vezes ponho-me a indagar: ‘Que tipo de gente ora aqui? Quem é o seu Deus?’”. (MONTEIRO, 1988, p. 32)


Cabe aqui ressaltar que Luther King, (exemplo de liderança, diga-se de passagem) viu os problemas sócias associados ao capitalismo:


“Tantos problemas da América Latina têm raízes nos Estados Unidos, que precisamos formar um movimento sólido, unido, concebido executado pacificamente, de modo que a pressão recaia sobre a estrutura de poder capitalista e governamental, de ambos os lados do problema ao mesmo tempo” (MONTEIRO, 1988, p. 88)


Pastores não se cansam de exortar a igreja sobre o dízimo usando Ml 3. 7 – 11. Mas os mesmo dificilmente falam que de três em três anos os dízimos (o segundo dízimo) não eram levados para o templo, mas utilizado na ajuda para os pobres, levitas, órfãos, estrangeiros e à viúva Dt 14. 28 e 29; 26.12.


Infelizmente temos tido na maioria das vezes uma liderança como descreve Tiago 2.15 – 17.


“Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.”


Hoje muitos líderes dizem às irmãs que pedem ajuda para comprar um remédio, “ora que Jesus cura”, e para o irmão desempregado que precisa de ajuda para comprar comida, “faz a campanha que a porta abre”.


A igreja de Atos não tinha nenhum necessitado não era por causa da grande cruzada de curas e prosperidade do apóstolo Pedro, ou devido a campanha das portas abertas do apóstolo Tiago, mas:


Nenhum necessitado havia entre eles, porquanto os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam os valores correspondentes e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.” (Atos 4. 34 e 35 – negrito meu).


Precisamos de uma liderança que pense socialmente, que faça algo pelos abandonados, oprimidos e necessitados. Esse é o verdadeiro marketing que precisamos para as pessoas enxerguem o amor de Deus em nós. Não é trombetear boas obras, Mt 6.1-3, mas tornar evidente um evangelho prático.


Precisamos ler e reler a biografia de Jorge Muller, e pedirmos a Deus líderes com o ideal daquele verdadeiro cristão.


Não existe melhor história para ilustrar o que quero dizer do que a contada pelo próprio Jesus:


“Então, dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai! Entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e fostes ver-me. Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar? O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. Então, o Rei dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos. Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; sendo forasteiro, não me hospedastes; estando nu, não me vestistes; achando-me enfermo e preso, não fostes ver-me. E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer. E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna.” (Mt 25. 34 – 46, negrito meu).


IX. Consideração final sobre os males do capitalismo.

Palavras como competição, individualismo, acúmulo de riquezas como objetivo de vida, materialismo, exploração, consumismo, etc., não estão de acordo como os princípios do Evangelho. Mas temos uma sociedade, consciente ou inconscientemente, envolvida com essas idéias. Esse público é o “material de trabalho” da liderança cristã, que deve libertar pelo conhecimento da verdade:


“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12.2).


O pensamento de Cristo em muito contrasta com o pensamento capitalista, e um líder eficaz é aquele que sente as dores de parto até que Cristo seja formado nos seus liderados, Gl 4.19.

Sendo assim o grande desafio de quem almeja ser um líder eficaz é primeiramente se desprender de toda forma de pensar capitalista que não se molda ao evangelho. E segundo como lidar com uma sociedade capitalista. E ainda, como transformar um povo que se formou capitalistamente, em um povo que pensa evangelicamente.

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X. Bibliografia

BOFF, Leonardo. Novas Fronteiras da Igreja: o futuro de um povo a caminho. Ed. Verus, Campinas SP, 2004.

BRUCE, F.F. João. Edições Vida Nova, São Paulo, SP. 1997.

FURTADO, Celso. O Capitalismo Global. Academia Brasileira de Letras. Rio de Janeiro, RJ. 1998.

KOOGAN e HOUAISS. Enciclopédia e Dicionário Ilustrado. Edições Delta, Rio de Janeiro, RJ. 1999.

MONTEIRO, Irineu. O Pensamento Vivo de Martin L. King. Martin Claret Editores, São Paulo, SP. 1988.

MORLRY, Patrick M. O Homem de Hoje. Ed. Mundo Cristão, São Paulo, SP, 1995.

FABIO, Caio. Igreja Crescimento Integral. Ed. Vinde, Rio de Janeiro, RJ. 1995

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