História e Bíblia

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sexta-feira, 31 de julho de 2009

BÍBLIA - CONFORTO PARA A ALMA




Uma senhora forte e sadia ficou cega com quarenta anos de idade. Durante o primeiro ano a tristeza era acima de suas forças. Mas aos poucos reconquistou a coragem e tornou-se a alegria do seu lar.

Mais tarde esta senhora disse: "Há um motivo pelo qual não deixo de dar graças ao Senhor. Desde menina, tinha o hábito de ler a Bíblia diariamente, completando-a cada ano. Três anos antes de perder a vista, tive a boa idéia de usar meu tempo de leitura bíblica decorando algumas passagens. Assim, decorei diversos trechos das Escrituras que me têm trazido o maior conforto. Como agradeço a Deus por me ter dado a lembrança de assim fazer! Parece-me que não tinha reconhecido o valor da minha memória até ficar cega, e descobri que não sabia até então, do grande conforto que se acha na Bíblia”.


(HALLOCK. Edgar. Duzentas Ilustrações Selecionadas – Livro 1. CASA PUBLICADORA BATISTA)



A questão árabe-israelense

Primeiramente, o que vem a mente ao discutir a questão árabe israelense, é que o imperialismo estadunidense tem usado e favorecido Israel. Outros dirão ainda, que os árabes por meio do terrorismo, têm desafiado o mundo ocidental. Porém, é claramente perceptível pelas leituras de Michel Treigner, Edward Said, entre outros, que tais concepções muitas vezes não passam de senso comum, ou uma análise bem superficial de um tema tão complexo.

Alguns têm objetado que o anti-semitismo tem sido explorado pelos judeus para auto beneficio, e que na verdade o ódio ao judeu não existe, antes é um produto de manipulação imperialista. Entretanto a questão tem suas raízes históricas profundas.

Alguém já argumentou que a Paz no Oriente só virá com o fim do Estado judeu, e que o problema esta na criação do Estado de Israel. Eu diria que é muita ignorância abreviar o dilema para 1948, quando poderia ser estendido a quase DOIS MIL anos atrás, quando a nação de Israel foi destruída no ano 70.

Flávio Josefo, consagrado historiador, que presenciou o cerco romano liderado pelo general Tito, descreve a cena: “Foram feitos prisioneiros durante esta guerra noventa e sete mil homens e o assédio de Jerusalém custou a vida de um milhão e cem mil homens” (Capitulo 45, nº. 498). No nº 499 do cap. 46, ele prossegue, “parece, pelo que eu acabo de dizer, que nenhum acidente humano, nem flagelo algum mandado por Deus, jamais causaram a ruína de um tão grande número de pessoas, como o dos que pereceram pela peste, pela fome, pelas armas e pelo fogo, durante este grande cerco, ou que foram levados como escravos pelos romanos. Os soldados rebuscaram até nos esgotos e nos sepulcros, onde mataram a todos que estavam ainda vivos e desses encontraram ainda mais dois mil que se haviam matado uns aos outros ou a si mesmos, ou que tinham sido mortos pela fome”.

O imperialismo (ainda que não na concepção capitalista) oprimiu e tentou exaurir o povo judeu diversas vezes, como a Assíria que no século VII a.C levou cativo o povo do Reino do Norte (parte norte do território dos judeus, que foi dividido em dois reinos, Norte e Sul, após o governo de Salomão); a Babilônia que no século VI a.C, destruiu Jerusalém e o Templo, e levou cativo o Reino do Sul; os Gregos, que sob Antíoco IV Epifanes, profanou o Templo judeu, colocando ali a estátua de Zeus; os romanos, que já citamos; o Império Católico Romano que, na Idade Média, dirigiu sua fúria contra os judeus na Inquisição matando centenas de milhares; os protestantes que muitas vezes também difamaram os judeus – o próprio Lutero, escreve em 1543, “Dos judeus e suas mentiras” (FISCHER, 2006, p. 51) – e a culminação no Holocausto da Segunda Guerra, onde o historiador Eric Hobsbawn, mostra que o anti-semitismo vinha se estabelecendo desde longa data (Era dos Extremos, pp. 123, 124).

Hoje é indiscutível que o imperialismo americano se aproveita de alianças com Israel, para atingir finalidades econômicas na região árabe, a mais próspera do mundo em petróleo. Mas a realidade é que, como mostra Michel Freignier, os imperialistas, sempre buscaram o auto beneficiamento, e os judeus e árabes não deixaram de ser periféricos em seus planos. A Inglaterra (A grande potência do século XIX e inicio do XX) prometia, em 1915, a construção do Grande Reino Árabe, ao mesmo tempo em que pretendia retalhar o mundo árabe – com o fim do império Otomano – entre França e Rússia, e já negociava com os judeus a criação de um lar na Palestina. Porém, com o desenvolvimento petrolífero na região, os ingleses se aliaram mais aos árabes: “A Grã-Bretanha, que até então adotara uma política tortuosa para alcançar algum equilíbrio entre as duas comunidades, parecia cada vez mais favorável aos árabes. Essa atitude tinha motivos econômicos (preservar os interesses petrolíferos) e estratégicos (afastar os países do Oriente Médio da tentação de se aproximarem da Alemanha)” (FREIGNIER, p. 25).

O movimento sionista ganhava força desde o final do século XIX, e com o crescimento do nazismo na Europa, o fluxo judeu para a palestina aumentara, o que provocou a reação árabe, que temia a dominação judaica, usando muitas vezes de violência. O anti-semitismo entre árabes (não todos) é fato, tanto que “uma parte dos árabes tinha simpatia pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália), pois viam numa possível vitória alemã a oportunidade de se livrar da tutela britânica, e de eliminar a presença judaica da Palestina”. (FREIGNIER, p. 26).

A Liga Árabe, que tinha a finalidade de “afirmar a unidade do mundo árabe em frente dos apetites imperialistas e da ameaça sionista” (FREIGNIER, p. 26), foi patrocinada pela potência Britânica.

Entretanto o Estado de Israel, em 1948, foi criado com a aprovação dos EUA, que visava o lugar da Inglaterra como a grande potência dominante do Oriente. Porém, apenas um dia após, a Liga Árabe, tentou liquidar o Estado judeu. Em resposta, os israelenses, se organizaram e conquistaram brilhante vitória. Dessa precipitação árabe, que gerou o “primeiro” conflito árabe-israelense, os grandes prejudicados foram os palestinos que viram começar a ficar inviável (até hoje) a criação de seu Estado. Se hoje, verdadeiramente se discute a questão do sofrimento dos inúmeros refugiados palestinos, não se pode esquecer, que a primeira guerra promovida pela Liga Árabe, levou milhares de árabes a saírem da região israelense, e “700 mil imigrantes judeus (a maioria refugiados provenientes de países árabes)” (FREIGNIER, p. 30), a irem para Israel.

A guerra dos Seis Dias, 1967, mais uma vez iniciada pelos árabes, e mais uma vez vencida pelos judeus, que ainda não era uma potência militar, mas como observa o próprio autor “um país pequeno entregue ao sarcasmo” (FREIGNIER, p. 37), intensificou o conflito palestino-israelense. Somente na década de 70, Israel passou a ser visto como potência militar.
Com os judeus dominando militarmente toda a região da Palestina, e com a Liga Árabe nunca dando o braço a torcer para reconhecer o Estado de Israel, ficava cada vez mais impossível o surgimento de um Estado Palestino.

Na década de 1960, “um dos maiores trunfos dos EUA” (FREIGNIER, p. 37), não era Israel, mas o Irã, inimigo mortal de Israel.

Os países árabes, que aspiravam, décadas atrás por uma maior unidade árabe, com o desenvolvimento petrolífero, se dividiram, tanto que os próprios palestinos entraram em conflito na década de 70 com a Jordânia (ainda que não por motivos petrolíferos), provocando um milhão de refugiados. Estes – organizados pela OLP – foram acolhidos pelo Líbano, mas os próprios palestinos provocaram uma guerra civil no Líbano.

Por fim, a complexidade dos conflitos árabe-israelenses, e a questão da Palestina, não devem ser analisadas apenas pelo presente. Israel hoje é apoiado pelos imperialistas, mas já os foram os árabes. O Estado de Israel foi criado pelos imperialistas, mas já o foi destruídos (várias vezes) por imperialistas. Os árabes, muitas vezes fazem uso de ataques terroristas, mas também já o fizeram os judeus (inclusive contra ingleses). Israel, hoje é uma potência bélica, que sem misericórdia massacram árabes, mas quase todos os países árabes já estiveram reunidos contra Israel, quando este não passava de um insignificante recém criado Estado. Hoje, os judeus não reparam a violência contra os palestinos, mas autoridades árabes já até mesmo realizaram conferências negando o Holocausto. O que temos é um mundo de contradições e paixões, capitalismo e religiões, e um emaranhado histórico difícil de seguir e descobrir precisamente, detalhadamente as suas origens. Certamente impossível de ser compreendido apenas a partir de um pensamento ideológico, seja favorável ao judeu, ou ao palestino, ou seja até mesmo neutro; todas as partes devem ser consideradas, desde a análise materialista, as explicações religiosas, do presente ao mais profundo passado que nos seja permitido alcançar. Somente assim, poderem talvez, não fazer injustiça a nenhum dos lados envolvidos.


BIBLIOGRAFIA:

1. TREIGNIER, Michel. Guerra e Paz no Oriente Médio. Ed. Ática, 1994, São Paulo SP.
2. SAID, Edward. Cultura e Imperialismo. Companhia das Letra, 2005, São Paulo. SP.
3. JOSEFO. História dos Hebreus. CPAD, 2000, Rio de Janeiro, RJ.
4. HOBSBAWM. Eric. A Era dos Extremos. 2003. São Paulo. SP.
5. FISCHER. J.H. Reforma Renovação da Igreja Pelo Evangelho. São Leopoldo, RS, Sinodal, 2006.



terça-feira, 28 de julho de 2009

OS TRÊS IMPERATIVOS DE CRISTO - Parte 2


2. Vinde – A Formação do Líder.


O primeiro passo para a liderança eficaz é aprender, ou seja, ser discípulo.

“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” Mt. 4.19.

Apesar do texto se referir a Pedro e André, o mesmo propósito estaria sobre a vida dos demais discípulos de Cristo. Portanto podemos partir do princípio que a primeira coisa que Jesus pensou sobre os seus discípulos foi “fazê-los”. E este fazer durou cerca de três anos e meio de trabalho de Cristo, e isso em tempo integral; o que segundo alguns teólogos equivaleriam dezesseis anos de faculdade de teologia.


a. Vinde é ser aluno: Formação teórica.


Alguém disse acertadamente a frase: “Aquele que não está pronto para sentar e aprender, também não está pronto para se levantar e ensinar”.

É certo que deste seu chamado já estava implícita a característica de trabalho, pescar homens, mas antes existe o “fazer”.

Mas o que é Fazer? O que Jesus queria dizer com isso? Nesta passagem Jesus faz uso de uma figura de linguagem, familiar àqueles homens. Eles eram pescadores por profissão, e não simples amadores que nos “feriados de sol quente” saiam com os amigos para os pesqueiros de Cafarnaum para se divertirem. Antes, suas vidas e sustento dependiam do êxito do ofício de pescador. E não era qualquer um que se tornava pescador. Jesus, por exemplo, certamente era bom carpinteiro, mas não entendia nada de pesca. (Por isso os dois milagres da pesca são excepcionais, Lc. 5. 4..., e Jo. 21.6). O pescador conhecia os segredos das águas, do tempo, dos lugares certos e oportunos para um boa pesca, sabiam escolher bem uma rede, e qual o melhor barco para o serviço. Todavia, isso não quer dizer que um carpinteiro, ou qualquer outra pessoa de outra profissão não poderia aprender a ser pescador; é isso que Jesus esta ensinado em suas palavra, que o pescador de vidas (o obreiro, o líder) aprende com um Mestre, com um Professor; que ele é antes de tudo um aluno, um discípulo da escola de Cristo.

“Discípulo - [Do lat. discípulus, discente] Aquele que se coloca sob tutela de um mestre a fim de aprender uma arte ou ofício, ou para enfronhar-se nas lides de um ministério bíblico”. (ANDRADE, 1998, p. 124)

É necessário investimento sobre a vida daqueles que almejam a liderança. A meu ver este investimento deveria partir da própria igreja que a pessoa pertence, já que num futuro próximo a própria congregação será beneficiada com a formação desse líder. Entretanto esta parece ser uma realidade distante de muitas igrejas brasileira, que, por exemplo, muitas vezes não pensam duas vezes antes de pagar uma alta soma em dinheiro para um avivalista pregar um dia num congresso, mas não disponibiliza exatamente nada para o suprimento de seus obreiros. Qual a igreja que nos conhecemos que tem uma biblioteca? Ou paga pela formação acadêmica de um membro seu (teólogo, psicólogo, etc.), realmente são poucas! Mas o certo, é que é fundamental algum investimento. E isto, se não partir da igreja, deverá então partir da própria pessoa que pretende o ministério. Fazer cursos, se possível uma faculdade de Teologia, de Psicologia, de Línguas, montar sua própria biblioteca de pesquisa, ganhar muito tempo (e não gastar) com leituras e pesquisas.

Jesus sabia conscientemente da enorme responsabilidade que é ser um líder, e não é de um simples líder que estamos falando, mas do tipo de liderança mais importante que existe entre os homens, a liderança que representa Deus entre os homens – “Quem vos der ouvido ouve-me a mim, e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou” Lc 10.16.

O Pentacostalismo, (como escreveu Caio Fabio pentecostal-ismo), talvez indiretamente, trouxe uma coisa maléfica para a igreja e sua liderança, que é a falsa idéia que “O Espírito Santo fará a obra”, tirando do líder toda responsabilidade e transferindo-a para o Espírito de Deus. A grande ênfase que os “pentecostais” dão a ação do Espírito (de forma equivocada), contribui para uma liderança mais fraca e despreparada, pois muitos destes atribuem tudo a Deus e ao Diabo, e não dão ao ser humano qualquer responsabilidade.

Por exemplo, muitos não preparam o sermão que vão pregar, crendo que o Espírito lhes dará na hora a mensagem, e mais, ainda dizem que os que antecipadamente preparam seus sermões estão na carne, fora da direção do Espírito. Estas pessoas não sentem o peso da responsabilidade que é falar em nome de Deus. Ou então, observamos pastores, que nunca dizem previamente quem ira pregar, pensando que o Espírito Santo vai revelar na hora quem deve ministrar. Eu não descreio da direção de divina, mas será que não seria melhor, que a revelação viesse antecipadamente ao pastor, para que ele informasse ao pregador, para que este preparasse adequadamente o que deveria falar?! Lembro-me que certa vez, numa igreja em que congregava, foi dada a um jovem a oportunidade de pregar, e quando ele assumiu a palavra, simplesmente ficou parado com a boca aberta. Quando o presbítero que dirigia o culto percebeu e perguntou ao rapaz o motivo de ficar assim, ele respondeu: “estou esperando”. “Esperando o que”, inquiriu o presbítero, e o jovem respondeu: “O Espírito me dar Palavra, pois esta escrito: eis que ponho as minhas palavras na tua boca, Jr 1.9”. É espantoso o número de pastores que nunca leram a Bíblia por completo.

Quando a igreja recebe uma jovem que foi violentada, ou uma criança carregada de problemas psicológicos, a culpa cai para o Diabo, a cura para o Espírito Santo e a igreja só faz uma coisa, orar (isso quando realmente ora, pois até isso está ficando raro). Porém, poucos são os que buscam uma capacitação para conseguir aconselhar e cuidar de pessoas que surgem na igreja com os mais diferentes dilemas. O líder deve ser muitas vezes o psicólogo de seus liderados, mas isso requer investimento, tempo gasto e dedicado na construção do saber. Uma coisa eu concordo, a cura vira pelo Espírito Santo, mas ele ministra através de pessoas que se dedicaram e se esforçaram, pois ele nos usa naquilo que nós temos e conhecemos.

Muitos pensam que após o dia de Pentecostes, os apóstolos se tornaram grandes conhecedores da Palavra, o que é um grande engano, pois se lermos o capítulo primeiro de Atos, vamos verificar o vasto conhecimento de Pedro sobre o Antigo Testamento. O que acontece a partir do Dia de Pentecoste, é simplesmente o Espírito de Deus usando com poder os apóstolos, naquilo que eles já conheciam e aprenderam desde a infância no judaísmo, e especialmente nos três anos e meio de discipulado com Jesus.

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus” At 4.13.

Hoje temos muitos pregando, aconselhando (estes estão cheios do achismo, pois nunca tem certeza do que dizem), pastoreando, enfim, liderando, sem terem passado pela escola de Cristo. Sinceramente eu não consigo conceber sinceridade na vida de alguém que diz amar a Deus, o povo de Deus, e não viver ansioso por aprender mais sobre este Deus maravilhoso que busca servir.

Gostaria de citar apenas mais um exemplo para ilustrar nossa decadência de liderança. Há poucos dias, um casal conhecido meu, sofreu um grave problema conjugal que resultou na separação. Mas o que me espantou foi a postura do pastor deste casal, que disse não ter tempo para visitá-los e pediu para que o grupo de jovens da igreja fosse aconselha-los! Já imaginaram, o pastor enviando pessoas que não conhecem praticamente nada de relações e problemas conjugais, para ministrar aconselhamento – então eu digo “Que país, ou me desculpem, que igreja é esta”.

domingo, 26 de julho de 2009

UMA VÍRGULA MUDA TUDO




“Respondeu-lhes Jesus: Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus.” (Mt 22.29)

A Bíblia Sagrada é nossa fonte de fé! Porém, se não a lermos corretamente não entenderemos exatamente o que ela nos comunica! Antes dos estudos teológicos, uma exigência deve ser cumprida para o seu entendimento, que simplesmente é saber ler! Não “saber ler por ler”, mas respeitar todas as expressões e pontuações. Uma vírgula, um ponto ou um sinal é capaz de alterar todo o significado de um texto.

Abaixo segue uma propaganda da ABI (Associação Brasileira de Impressa) publicada na revista Veja de 9/04/2008 p.99. Perceba o poder de uma vírgula:






A VÍRGULA PODE SER UMA PAUSA OU NÃO:

Não, espere.
Não espere.

A VÍRGULA PODE CRIAR HERÓIS:

Isso só, ele resolve.
Isso, só ele resolve.

ELA PODE FORÇAR O QUE VOCÊ NÃO QUER:

Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

PODE ACUSAR A PESSOA ERRADA:

Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.


A VÍRGULA PODE MUDAR UMA OPINIÃO:

Não quero ler.
Não, quero ler.


Índice:

1. Introdução

2. Vinde – A Formação do Líder

a. Vinde é ser aluno. Formação teórica

b. Vinde é ser aluno. Formação prática

3. Ficai – A Capacitação do Líder

a. Atos e Evangelhos

b. O texto de Lucas e de Atos

4. Ide – O Trabalho do Líder

5. Conclusão

6. Bibliografia


(Antes de tudo gostaria de esclarecer que certamente eu não sou conhecedor do estado de todas as igrejas dessa grande nação de extensões continentais, e menos ainda, no que se refere a nível mundial. Porém, estarei trabalhando dentro do campo de visão que alcanço, na esperança de ao menos colaborar em alguma coisa para o bem da Igreja do Senhor).


1. Introdução


Sempre que se discute a missão da igreja, o papel que o cristão deve exercer na sociedade, um imperativo bíblico é mencionado – o Ide, Mt. 28. 19 e especialmente Mc. 16.15,... –, frisando a responsabilidade de cada cristão de pregar o evangelho e os sinais miraculosos que se seguirão.


O Ide, sempre é lembrado nas reuniões de obreiros, e cultos de missão. Sempre é usado pelos pastores que querem convencer seus membros a ingressarem na obra do Senhor, pois a “seara é grande e poucos são os ceifeiros”, Lc 10.2. Muitos são até mesmo intimidados pelos líderes a se tornarem obreiros, pois se não, estarão deixando de cumprir um importante mandamento de Jesus, o Ide (existem igrejas que tem mais pessoas exercendo funções ministeriais por imposição do pastor, do que pessoas fazendo a obra de Deus por livre vontade).


Dessa forma, mais e mais obreiros vão ingressando na seara do Senhor, porém, com um enorme despreparo. Esses obreiros deformados, em pouco tempo se tornam líderes (pastores, líderes de jovens, de círculo de oração, de escola dominical, de missão, etc.). Uma característica de muitas igrejas do Brasil, é a que se aparece alguém que ora bastante, fala em línguas, tem visão e dá uns pulos, em pouco tempo assume a responsabilidade de algum trabalho. Ou pior ainda, se é um ex-drogado, ex-homossexual, ex-prostituta, ex-qualquer-coisa, em poucos dias se torna um dos pregadores (contador de testemunho, ou seria tristemunho) mais requisitado da região, e isso quando já de cara não grava um CD, ou DVD sobre sua vida, afinal esta cumprindo o Ide! (já houve quem disse que quem deveria estar ensinando está sentado e quem deveria estar sentado está ensinando!).


Na minha avaliação esta situação é um dos principais motivos de termos uma liderança tão fraca e despreparada. O grande problema é que poucos percebem que são TRÊS IMPERATIVOS de Cristo a seus discípulos, e não apenas um, e mais, o único realmente discutido (o IDE) foi o último deixado por Jesus.


Neste estudo estarei trabalhando os três imperativos de Jesus a seus discípulos (os seus futuros líderes na Terra):


1. Vinde: Mt. 4.19.

2. Ficai ou Permanecei: Lc. 24. 49

3. Ide: Mt. 28. 19 e Mc. 16.15


A desgraça da igreja é querer fazer o Ide antes de executar o Vinde e o Ficai. A ordem é precisa e não casual; não pode haver sucesso pleno do Ide, (das funções ministeriais da igreja) sem um bom desenvolvimento do Ficai e antes ainda do Vinde.



sexta-feira, 24 de julho de 2009

O operário em construção




E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
E Jesus, respondendo, disse-lhe:
– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.
Lucas, cap. 4, vs. 5-8.


Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
– Garrafa, prato, facão –
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão –
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– "Convençam-no" do contrário –
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! – disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

(Vinícius de Moraes)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Analfabeto Político


O pior analfabeto é o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.

Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

Bertolt Brecht(1898-1956)




A justiça é o pão do povo.
Às vezes bastante, às vezes pouca.
Às vezes de gosto bom, às vezes de gosto ruim.
Quando o pão é pouco, há fome.
Quando o pão é ruim, há descontentamento.

Fora com a justiça ruim!
Cozida sem amor, amassada sem saber!
A justiça sem sabor, cuja casca é cinzenta!
A justiça de ontem, que chega tarde demais!
Quando o pão é bom e bastante
O resto da refeição pode ser perdoado.
Não pode haver logo tudo em abundância.
Alimentado do pão da justiça
Pode ser feito o trabalho
De que resulta a abundância.

Como é necessário o pão diário
É necessária a justiça diária.
Sim, mesmo várias vezes ao dia.

De manhã, à noite, no trabalho, no prazer.
No trabalho que é prazer.
Nos tempos duros e nos felizes.
O povo necessita do pão diário.
Da justiça, bastante e saudável.

Sendo o pão da justiça tão importante
Quem, amigos, deve prepará-lo?

Quem prepara o outro pão?

Assim como o outro pão
Deve o pão da justiça
Ser preparado pelo povo.

Bastante, saudável, diário.


Bertolt Brecht, escritor e diretor do teatro alemão (1898-1956).





Os funcionários não funcionam.

Os políticos falam, mas não dizem.

Os votantes votam, mas não escolhem.

Os meios de informação desinformam.

Os centros de ensino ensinam a ignorar.

Os juizes condenam as vítimas.

Os militares estão em guerra contra seus compatriotas.

Os policias não combatem os crimes, porque estão ocupados cometendo-os.

As bancarrotas são socializadas, os lucros são privatizados.

O dinheiro é mais livre que as pessoas

As pessoas estão a serviço das coisas.




Autor: Eduardo Galeano, escritor uruguaio – Escreveu “As Veias Abertas da América”.




Darwin pregador do evolucionismo,
Com suas teorias a muitos convenceu.
Pessoas deixaram de crer na existência de Deus.
“O homem era animal, viveu nas cavernas
Mais e mais evoluiu, chegou a era moderna”.

Contudo a verdade é revelada!
Nunca se ouviu tanto terror,
Milhões de mortos, a humanidade abalada.
O ódio cresceu e sumiu o amor.
A inteligência aumenta, aumenta bastante,
Mas para uso do mal, um perigo constante.
O ser cada vez mais perfeito, mas não é para salvar;
É perfeito em destruir, roubar e matar!

Mas esse quadro pode se alterar.
Quando pararmos para pensar na necessidade de amar.
Muitas pessoas perderam o sentido da vida;
São pessoa sem expectativa, vivem a agonizar.
Mas a alma clama “existirá um ideal para mim?
Algo para me livrar dessa angustia sem fim?
Em todos lugares que se olha só há motivos para chorar!”

Onde é a raiz do caos já disse o humilde cristão:
“A malicia, o homicídio, guerra... surgem do coração”
Mas será que poderá existir uma mudança radical?
Quando amarmos o próximo como a nós mesmos será o fim de todo mal.
O passado terrível e o presente angustiante ficarão na lembrança.
Poderemos construir um futuro para nossos filhos com paz e esperança.


(Alexandre L M Brandão – Escrevi quando estava no 3º ano do ensino médio, 22/10/01)

domingo, 19 de julho de 2009

Fé Morta (charge)




A Palavra de Deus nós ensina:

"Se um irmão ou irmã estiverem necessitados de roupa e passando privação do alimento de cada dia, e qualquer dentre vós lhes disser:

– Ide em paz, aquecei-vos e comei até satisfazer-vos.

Porém sem lhe dar alguma ajuda concreta que adianta isso?"

(Tiago 2.16. Bíblia King James).


A atitude representada na charge acima tem sido uma realidade constante no cristianismo religioso atual, e isso, como lemos no versículo de Tiago é uma afronta a Palavra de Deus. Portanto se você passar por uma situação parecida, em que alguém te peça ajuda, lembre-se que apenas palavras como “Deus te abençoe”, “você vai vencer”, etc. não irá aquecer do frio o que não tem um cobertor, e muito menos vai matar a fome do necessitado. Mas se você ajudar a pessoa em dificuldade, você estará refletindo pela sua vida a pessoa de Jesus Cristo, e realmente poderá chamar seu semelhante de irmão, e Deus de seu Pai.

(Alexandre L.M.Brandão)

sábado, 18 de julho de 2009

Sermão: Dois Tipos de Cristianismo

Texto: Lucas 7.36 - 50

36Convidou-o um dos fariseus para que fosse jantar com ele. Jesus, entrando na casa do fariseu, tomou lugar à mesa. 37E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; 38e, estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com o ungüento. 39Ao ver isto, o fariseu que o convidara disse consigo mesmo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. 40Dirigiu-se Jesus ao fariseu e lhe disse: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Ele respondeu: Dize-a, Mestre. 41Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinqüenta. 42Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais? 43Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem. 44E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. 45Não me deste ósculo; ela, entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. 46Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta, com bálsamo, ungiu os meus pés. 47Por isso, te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. 48Então, disse à mulher: Perdoados são os teus pecados. 49Os que estavam com ele à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este que até perdoa pecados? 50Mas Jesus disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

Introdução
I. Cristianismo
O cristianismo tem sido visto como uma religião, porém, é muito mais, pois ser cristão significa ser seguidor de Cristo! Mas como seguir alguém, (para muitos morto) invisível?! Não seria praticando o que ele ensinou? Agindo como ele agia? Sendo igual a ele? “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre”. Lc 6.40 (itálico meu).
O verdadeiro cristianismo não está preso às instituições que o tem professado.

II. O Texto
O nosso texto em questão se refere a uma comunidade judaica, mas estaremos aplicando-o como se referisse a uma comunidade cristã atual, dentro é claro do nos for permitido.

1. O Cristianismo sem Cristo

Nesta passagem podemos observar algumas evidências do cristianismo sem Cristo que tem predominado atualmente, mostrando apenas uma religiosidade de aparências, sem a vida de Cristo.

I. Jesus é um dos convidados, mas não é o principal, apenas um a mais, v.36, 44-46.

O fariseu tinha Jesus em sua casa, mas junto a ele havia mais um grupo de pessoas. E mais, Jesus estava ali apenas como qualquer um dentre aquele grupo. Infelizmente esse tem sido o tipo de cristianismo existente em muitas igrejas! Tem de tudo e Jesus, apenas como um dos elementos de sua estrutura.
Jesus quer ter a primazia, ser o ator principal e não o coadjuvante. Se fizéssemos um filme ou um livro autobiográfico, contando toda nossa história, quem seria a personagem de maior influência? Em que lugar ficaria Jesus? Será que o cristianismo que temos vivido tem sido determinante em nossa vida?
Queremos Jesus, mas não o recebemos bem! O queremos apenas como algo a mais na nossa vida e não como o Guia da nossa vida!

II. Olha com discriminação, v. 39,

Notemos a expressão “ao ver”.
Quando o fariseu viu a cena, da mulher chorando aos pés de Jesus, ele não pensou duas vezes, ele recriminou o ato!
O cristianismo sem Cristo se acha santo demais: o fariseu se via superior aos outros, mais digno e melhor; ele recriminou o próprio Jesus e a mulher!
Esse é o tipo de religiosidade que recrimina, e que pela sua hipocrisia em nome de Deus, impede que o bem seja realizado. O fariseu olhou para a mulher com desdenhe, com juízo pressuposto.
O cristianismo sem Cristo discrimina e vê por aparências.
No evangelho de João, cap 9, lemos a história de um homem cego de nascença. Os apóstolos logo o rotularam: “quem pecou, este ou seus pais”? v. 2. Assim como este fariseu, motivado pelas aparências, rotula Jesus como impostor – “se este fosse profeta” – e a mulher como “pecadora”. No caso do cego, para Jesus Cristo, ele era alguém para se manifestar a glória de Deus, v. 3.
Em nosso cristianismo prático e diário, como temos avaliado as circunstâncias e as pessoas que nos rodeiam? Pela aparência? Verdadeiro é o dito popular “as aparências enganam”, e neste erro o cristianismo atual tem se enredado, julgado e condenado o próximo.
Exemplo: certa vez conheci um rapaz que ia no mesmo ônibus que eu para a faculdade, como ele era tatuado, falava gírias e fazia musculação, eu logo o rotulei como alguém desinteressado pelos estudos, sem compromisso com a faculdade, moralmente duvidoso. Mas ele fez amizade comigo, e descobri, para minha surpresa e vergonha, que a cerca de um ano ele já freqüentava uma igreja, era recém convertido e bastante comprometido com o saber, a cultura e a construção de uma sociedade melhor. Tornou-se um dos melhores colegas de faculdade.

“Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas.” (Tg 5.9).

Esta passagem deixa um contraste sobre o modo de ver as coisas:
No v. 39 está escrito “ao ver isto”, se referindo ao fato do fariseu ver a mulher diante de Jesus. Mas no v.44, Cristo questiona: “vês esta mulher?”. ! Aprendemos que ele não via como Jesus! Ele via a velha mulher, pecadora, indigna,..., mas não enxergava a nova mulher, transformada pelo evangelho de Cristo.


III. Não conhece a Cristo, v.39.

Para Simão Jesus não era um verdadeiro profeta, não agia como tal, não se enquadrava naquilo que ele definia em sua mente insana no que é um santo, um homem de Deus. As atitudes de Jesus não eram as esperadas por ele, pois ele na verdade ainda não conhecia verdadeiramente quem era o Cristo.
O fariseu provavelmente achava que Jesus deveria expulsar aquela mulher, se ele soubesse “quem e qual tipo de mulher lhe tocou”.
No cristianismo sem Cristo as atitudes são parecidas com as do fariseu. Quando vemos igrejas em que suas práticas religiosas são sem misericórdia, que não pratica e ainda recrimina quem pratica o amor, certamente Jesus não esta ali! Essas mesmas igrejas não aceitam um evangelho que perdoa, que levanta, mas o que lhes empolga é a tirania de julgar e condenar ao banco dos réus os indefesos que não tem voz de defesa. Muitos em nome de Deus, tem esperado um severo juízo sobre aqueles que não se ajustam as suas concepções. Profeta para muitos são os que exercem o autoritarismo, oposto de autoridade, que sabem mandar para o inferno, mas não são capazes de apontar o caminho para o céu.
Jesus quer por perto aqueles que são excluídos da sociedade! A passagem de Mt 8.1-3 é uma ilustração factual do pensamento ativo de Jesus, pois ele toca aquele que segundo a Lei não poderia ser tocado (devido à lepra), e isto antes de curá-lo, para mostrar que ele veio para receber aqueles que são considerados indignos.
O fariseu via apenas defeitos na mulher, não enxergando nada de bom nas suas atitudes. Mas para sua surpresa Jesus verifica qualidade na mulher e defeitos nele! (vv 44 – 45). É dura essa realidade, mas hoje, a luz da Bíblia, muitas igreja (e muitos cristãos) que se sentem irrepreensíveis, tal qual o fariseu, se surpreenderiam com a mensagem desmascarada e pura do evangelho. Da mesma forma que muitas pessoas que nós reputamos por fracas na fé, que não nós é visível nenhuma obra, alcançam aos olhos de Deus a sua justiça, Lc 18. 9 – 14. Era a religiosidade vã que cegava os fariseus! Da mesma forma que o cristianismo vazio, cega o entendimento. Portanto podemos dizer que Jesus vê qualidades em quem só vemos defeitos, e vê defeitos em quem só vemos qualidades!


2. O Cristianismo com Cristo

O texto traz a idéia de uma mulher que já conhecia o ensino de Jesus, e estava ali, talvez parta agradecê-lo. Provavelmente ela era uma das pessoas dentre as multidões que caminhava após Jesus, que o ouvia ensinar o Reino de Deus.

I. Busca Jesus corajosamente

Apesar de ser conhecida pecadora (geralmente o termo era empregado a prostitutas), digna de morte pela Lei mosaica, ela entra na casa do fariseu v.37, 39.
O texto também permite o entendimento de que a mulher já estava ali aguardando Jesus, v.45. “Desde que entrei”, diz Jesus, ela não cessa de me beijar os pés!
No verdadeiro cristianismo, as pessoas buscam a Cristo em qualquer circunstância. A mensagem do evangelho é tão libertadora que não importa as adversidades que circundem sempre se quer mais dele.

II. Trata Jesus além do comum vv.37 e 38.

A mulher foi além do comum. O normal, como Jesus mesmo diz, era oferecer água para os pés, mas ela faz de suas lagrimas de gratidão a torrente para os pés do salvador. Era comum na época a saudação por ósculo, que era o beijo na face, entretanto a mulher lhe beija os pés. Também, era usual, ungir os convidados com óleo na cabeça, mas aquela mulher faz uso de bálsamo nos pés de Jesus. O óleo era uma especiaria barata e de fácil acesso, já o balsamo era caro e precioso. (ver vv. 44 -46)
O cristianismo que temos verificado muitas vezes é aquele que não passa do comum. Não há esforços no servir a Deus. Não estou me referindo a nada imposto e obrigado pelas lideranças cristãs com seus dogmas e R.Is, mas aos sacrifícios espontâneos, que brotam do coração de pessoas que foram atingidas pelo evangelho, que sentem uma enorme gratidão pelo muito amor de Cristo.

III. Tem eterna gratidão, amor por Cristo vv. 40-43, 47.
Aquela mulher agia movida por amor. Ela tinha consciência do perdão e libertação que vinha das palavras de Jesus.
Os verdadeiros cristãos reconhecem que sem Cristo estavam perdidos, tal qual qualquer criminoso. Aqueles que conseguem vislumbrar a grandeza, a imensidão do amor de Deus, certamente, muito ama!
A parábola de Mt 18. 22-35 ilustra bem a vastidão do perdão de Deus.

IV. Vê Jesus somente.
Neste texto, percebemos Jesus observando tudo. Simão também, só que como objetivo de recriminar. A mulher, entretanto só enxerga uma pessoa – JESUS. Só se importava com ele, estava ali apenas para agradecê-lo, não se importando com os demais.

Conclusão
De que lado nós estamos? Será temos professado um cristianismo que não passa do nome, mas que é vazio em seu conteúdo mais expressivo que é o seu autor e consumador?


23 de janeiro de 2008


Não sei! Não conheço o porvir.

Apenas posso levantar a questão:

O que será de mim? O que virá a existir?

Tudo não passará de mera expectativa,

O companheiro mais próximo será o provável.

Mas não vejo na dúvida esperança viva.

Como é duro da incerteza ser réu,

Não saber se o futuro será doce como o mel

Ou amargo como o fel
.

(Alexandre Brandão, acho que escrevi este poema em 2005)

domingo, 12 de julho de 2009

O CAJADO DO PASTOR



Será que é verdade que o cajado serve para o pastor bater, punir ou ferir as ovelhas?

“Tu estas comigo a tua vara e o teu cajado me consolam” Salmo 23.4

O salmo 23 é um cântico de confiança que expressa o sentimento de confiança que as ovelhas têm por seu pastor, e a segurança que ele transmite através da utilização de uma vara (bastão, bordão) e de um cajado.

Em todo contexto do salmo 23, e em toda História de Israel, e dos pastores da Palestina, jamais um pastor fez uso da vara ou do cajado para punir as ovelhas de seu rebanho. A vara e o cajado nunca foram utilizados para ameaçar, maltratar, ferir, matar ou prejudicar de qualquer forma as ovelhas.

A prioridade absoluta e permanente do pastor é através de seus recursos – a vara e o cajado – oferecer totais garantia de bem estar para suas ovelhas.

O cajado e a vara somente eram usados para beneficiar as ovelhas

A vara – bordão, bastão – era uma espécie de pau grosso, resistente, compacto e pesado, de aproximadamente 60 centímetros a 1 metro de comprimento. Servia de apoio ou arma. O pastor utilizava a vara para proteger as ovelhas dos ataques dos lobos e outras feras, pois as ovelhas não têm meios próprios de defesa. As ovelhas são animais débeis, e presas fáceis para os predadores, portanto, são dependentes da proteção do pastor.

O cajado tinha aproximadamente 3 metros de comprimento e tinha a ponta curvada, como um gancho, que servia para impedir a queda das ovelhas à beira de barrancos e penhascos. Quando uma ovelha caia em um buraco, o cajado era utilizado para erguê-la, pois a ponta curva, em forma de gancho, se encaixava no peito da ovelha que era elevada de volta ao caminho.

As ovelhas não enxergam mais que 8 a 10 metros. Por isso o pastor sempre ia à frente com o cajado guiando-as por montanhas, vales, precipícios e penhascos, mantendo-as sempre no caminho seguro, evitando suas quedas ou afogamentos nas fortes correntezas.

Portanto vara e cajado só podem fazer mal para lobos e feras. Nunca será possível ver um pastor usando um cajado ou vara contra uma ovelha. Jesus é o Bom Pastor (João 10.11), e nunca usou a vara para punir a igreja. Então quando alguém diz que Deus está descendo o cajado na igreja, ou quando alguém traz uma mensagem muito dura, e diz que é o cajado de Deus, ou ainda quando um pastor ou pregador, diz que vai usar o cajado contra os irmãos, estas idéia são falsas e anti-bíblicas.

Mas quando um pastor recupera um crente desviado, ou quando uma mensagem conforta e dá alívio, ou ainda quando a Palavra de Deus levanta o caído, então agora sim, pode-se dizer que a vara e o cajado de Deus foram utilizados.

(I.M.Brandão Junior - teologo e diácono da Igreja Evangélica Assembléia de Deus)


Bibliografia:

ALLEN, Charles. A Psiquiatria de Deus. editora Betânia.

Biblia de Estudo Anotada. ediora Mundo Cristão.

KIDNER, Derek. Introdução e Comentário Salmos. edições Vida Nova.