História e Bíblia

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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

OS TRÊS IMPERATIVOS DE CRISTO - Parte 3

b. Vinde é ser aluno: Formação prática.


Jesus empregou tempo no seu ministério ensinado os seus discípulos. Mas sua escola não era apenas teórica, mas prática também. Vamos dizer que na escola de Cristo o estágio era muito importante.


Para Jesus, não bastava tirar Dez em Lei, Salmos e Profetas, e Zero na vida e relação com o próximo.


Este fato é bem ilustrado no evangelho, em Lc 10.25 a 37, onde lemos que um doutor da Lei tirou nota Dez na teoria, v.27, mas precisava da prática de vida para ser aprovado por Cristo v.37.


Jesus empenhou-se de muitas formas para mostrar que para ser um grande líder, ou mestre é preciso ter uma vida íntegra, que esteja em harmonia com o estudo teórico.


Voltemos ao texto base do Vinde, “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” Mt. 4.19, notemos a palavra “fazer”. Vejamos a seguir algumas definições de fazer que encontrei:


Fazer: levar a efeito; cumprir, executar, realizar, construir, erguer, montar ou formar com elementos diversos, aprontar, preparar, dar existência, criar, estabelecer, instituir, ser a causa de; provocar, ocasionar, exercer (atividade) seguidamente, trabalhar em ou causar; produzir por atividade intelectual ou artística.


Somente a palavra fazer pode ser tema para escrever um livro, mas vamos brevemente considerar algumas coisas.


O Vinde é ser feito por Cristo, logo percebemos que outro segredo do sucesso da liderança cristã é deixar-se ser feito. Ora, não somos um bloco de pedra que alguém vem e esculpi o que bem quiser, mas antes somos “pedras vivas” I Pe 2.5, que temos que permitir que o divino escultor nos faça à maneira dele. Essa é a lição que Deus mostrou a Jeremias, na casa do Oleiro, que fez o vaso “segundo bem lhe pareceu” Jr 18.4. Jesus queria fazer a vida de muitas pessoas, mas nunca forçou a ninguém; somente trabalhou naqueles que permitiram que ele removesse toda aspereza e deformações da pedra humana, e lhes desse a forma que seu martelo esculpia (Jr 23.29). Com certeza as marteladas da palavra de Cristo nem sempre eram agradáveis, mas com certeza eram as melhores para a vida humana. Um exemplo clássico está em Jo 6. 22 à 70. Naquele dia Jesus martelou bastante, e “muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele” v. 66. E Jesus ainda indagou aos doze apóstolos “Porventura quereis também vós outros retirar-vos?” v. 67, mas eles reconheceram, nas palavras de Pedro: “para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” v. 68. Neste ponto eles reconheceram que por mais confrontador que fosse, o melhor era serem feitos conforme Cristo.


Ser feito é aprender de Cristo, Mt 11.29, ou ser como ele:


“O discípulo não esta acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como seu mestre” Lc 6.40.


E mais:


“Aquele, entretanto que guarda sua palavra, nele verdadeiramente tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou” I Jo 2. 5 e 6


O grande exemplo do que afirmamos está no texto de Jo 13, quando Jesus lava os pés dos apóstolos e diz:


“Ora, se eu, sendo o senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais-vos também” Jo 13.14 e 15.


O cristão nunca deve perder o seu devocional diário. Nesse ponto me refiro aos momentos particulares que buscamos estreitar nosso relacionamento com Deus. Aqui (bem sei que um capítulo deveria ser dedicado ao tema) gostaria de citar especialmente a oração, o jejum (como deve ser praticado) e leituras devocionais.


Esses momentos particulares com Deus são fundamentais para o estabelecimento e fortalecimento de qualquer pessoa. Meu professor de seminário (Pr. José Faustino), disse certa vez que não ter momentos devocionais com Deus não é pecado, mas não os tê-lo nos deixam mais vulneráveis a pecar.


Sobre esses momentos dedicados a Deus o Pastor Russel Shedd, no Congresso Brasileiro de Missões, realizado em Caxambu, 1993, comentou a respeito de João Wesley:


“João Wesley, exigia de seus enviados para a Inglaterra que separassem (pelo menos este era o ideal dele) oito horas para Deus todos os dias. Você ganha sua vida sozinho no resto do tempo. Mas deve dedicar oito hora a Deus. Três horas de oração, o resto do tempo em estudos, viajando e falando de Cristo. Exigências que, hoje, nós nunca podemos passar para os nossos irmãos porque, que eu saiba, quase não temos mais gente desse calibre, no mundo inteiro”. (SHEDD, 1998, p.48)


Esses momentos eram encarados com seriedade por Jesus. Fatos como o registrado em Mt 14. 23, certamente eram comuns para ele. Se fizermos uma conta rápida, vamos verificar que se no versículo 23, está escrito que ele começou a orar ao cair da tarde, por volta das dezoito horas, e que o verso 25 nos informa que somente na quarta vigília ele foi ter com os discípulos, vamos descobrir que ele passou entre nove e doze horas em oração, devoção e busca a Deus. Certamente os quarenta dias no deserto (Mt 4 e Lc 4) não foram passados sem o devocional com Deus.


Ainda sobre a importância da oração na vida diária gostaria de me reportar a Daniel. Não é interessante notar que Daniel não começou a orar depois que o rei proibiu que qualquer pessoa fizesse alguma interseção a algum deus, mas antes, “três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer”. Dn 6.10. E mais, tal proibição implicava em insignificantes trinta dias (v.7). Por que será que Daniel não preferiu deixar de ter seus momentos com Deus nesses poucos dias (e para o judeu isso é um comprometimento, mas vale citar aqui que para mim, devocional com Deus, também é comprometimento). Ele entendeu ser mais perigoso ficar sem ter a comunhão diária com Deus, do que estar sujeito à morte pelos leões.


Com toda certeza, nesses momentos Cristo também está nos fazendo, nos construído, nos moldando. Essas horas nos fornecem o fogo necessário para queimarmos a lenha recebida nos estudos e pesquisas teológicas. Mas, destaco aqui que lenha sem fogo e fogo sem lenha não tem eficácia. Outro grave problema de nossas lideranças é que geralmente conseguem ter apenas um dos elementos, ficando assim sem atingir o pleno objetivo da liderança cristã. Como certa vez disse o famoso pregador Geziel Gomes, pule, fale em línguas, se alegre no culto, mas amanhã de manhã esteja na escola dominical, leia diariamente a bíblia, se dedique.


Uma coisa, entretanto, deve permanecer clara, ser feito não é fácil. Jesus teve doze grandes blocos de Pedra para esculpir, e por três anos e meio trabalhou neles, e quando já estava por terminar seu ministério, encontrou inúmeras falhas neles; Judas o traiu, Pedro o negou por três vezes, os demais se esconderam. Mas o trabalho iniciado pelo divino escultor já estava iniciado, e em breve se evidenciaria. Ora Cristo nunca escreveu nada (apenas na areia), seu ministério e viagens se restringiram a região de Israel, e foi por fim condenado como um criminoso. Certamente ninguém apostaria no sucesso de sua escola. Mas ele soube fazer muito bem uma coisa. Ele formou seus futuros líderes (e eram apenas doze), e estes doze (estou contando com Matias, o substituto de Judas, tão apto para o ministério quanto os onze, At 1. 21 e 22) conquistaram o mundo da época (Cl 1. 5,6,23) e terminaram de escrever o Cânon sagrado. Somente analisando desse ponto de vista é possível valorizar os três anos e meio que eles passaram na companhia de Jesus; que verificamos que existe um significado nisso; que não foi a toa que Cristo simplesmente não escolheu alguns homens que ele curou, e logo enviou para pregar o evangelho, mas que teve que ser homens feitos, para que tivessem o sucesso que alcançaram.

Para finalizar o significado do Vinde, podemos afirmar que o líder eficaz é aquele que aprende de Cristo, teoricamente e praticamente. Temos que ter o conhecimento de quem é Cristo e de sua palavra, e uma vida que se assemelhe, que se conforme a esse saber.

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