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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Construção de Templos X Construção de Vidas




O texto abaixo é parte do livro "Viagem pela História do Brasil".


A descoberta e exploração do ouro brasileiro ocorreram no reinado de D.João V (...). O período foi marcado por desvario [loucura] típico dos enriquecem depressa. Além do costume de presentear amigos com caixotes de ouro, o rei tinha paixão por obras faraônicas. Empregou 40 mil pessoas na construção do suntuoso convento de Mafra, encheu a cidade de monumentos, rasgou canais e aquedutos. E como a riqueza era grande, o rei pouco ligava para os negócios do estado (...). Em Portugal, o fausto ajudava a disfarçar a situação difícil que vinha desde as invasões holandesas.
(...). Nenhuma das prodigalidades [gasto excessivo, esbanjamento] de D.João superou a da construção do convento de Mafra. Feito para pagar uma promessa pelo nascimento de sua primeira filha, tornou-se um dos mais acabados exemplos de desperdício da história portuguesa.
Sua construção teve inicio em 1716 (...). Em 1729, havia 40 mil pessoas trabalhando na obra (...). Para abrigar todo o pessoal envolvido na construção, foram erguidas 2 mil casas de madeira e criado três hospitais com quinhentos leitos. Uma tropa de 2 mil soldados foi destacada para cuidar da segurança do aglomerado de 60 mil pessoas que se formou em torno da obra. Na decoração do grandioso convento, o rei não economizou. Os sinos foram feitos na Holanda e na Itália, de toda a Europa chegaram pranchas de nogueira para a forração das paredes, 2 mil metros de tecido brocado [tecido com desenhos em relevo bordados com fios de ouro e/ou prata] foram usados nos paramentos dos padres [e] adquiriram-se copos e talheres de cobre (...).
A obra durou Até 1735 e consumiu 120 milhões de cruzados – o equivalente a 140 toneladas de ouro, tudo o que a Coroa arrecadara em vinte anos de exploração das minas brasileiras.


(Jorge Caldeira et al. Viagem pela História do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. pp. 90-91)

Interior do convento de Mafra



Uma Reflexão:

Pela simples leitura do texto acima, podemos observar os desvios que a religião cristã teve do cristianismo. O homem é filho do seu tempo, fruto de sua sociedade, de sorte que o catolicismo do século XVI concebeu homens com a mente como D.João V.

A incompatibilidade do espírito do catolicismo com o evangelho está pelo simples fato de numa época em que havia tanta pobreza em Portugal, o seu rei, fez o que achou ser uma grande obra para Deus: Construir uma mega igreja revestida de ouro. Enganou-se o tolo, pois se Deus deu o que tinha de melhor pela humanidade – seu próprio filho – como poderemos agir fora desse sentimento de doação e socorro! Não, não é do evangelho nem de Cristo, gastar-se tanto na construção de templo, enquanto o próprio povo que o freqüenta morre de fome; os padres vestindo brocados de ouro, e o povo na mais severa pobreza.

Os discípulos tentaram empolgar Jesus com a magnificência do templo de Jerusalém, mas observe a cena:


“Tendo Jesus saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos para lhe mostrar as construções do templo. Ele, porém, lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.”
(Mateus 24.1 e 2)

E mais, no inicio da era cristã, não havia templos para os cristãos, de sorte que eles se reuniam em casas. Quando lemos na Bíblia a palavra igreja, o autor estava imaginando as pessoas e não um edifício. Apenas depois do século II os cristãos começaram a usar templo.

É triste ver em nossos dias pessoas que ainda acreditam que fazem a vontade de Deus seja construir igreja (edifícios, prédios), enquanto o povo perece sem conhecer a transformação de caráter, de vida, que Jesus oferece. A obra de Jesus foi:


O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.
(Lucas 4.18 e 19)

Eu concordo que deva haver bons templos que acomodem bem o público. Oxalá que todas as igrejas tivessem prédios para atender suas necessidades. Mas o erro reside no fato em priorizarmos o material e desprezarmos o humano. Com Jesus, não era assim; antes ele quis construir vidas. Catedrais suntuosas sem o amor de Cristo estão vazias de Deus! E igrejas muito simples, mas que vivem o amor do evangelho são plenamente habitadas por Deus. A diferença não esta na beleza da catedral, mas na beleza da alma dos que a freqüentam!

Hoje a corrida pelos melhores templos é dos evangélicos, que constroem mega igrejas, mas muitas vezes seus freqüentadores dormem com fome por não terem o que comer. Os brocados de ouro de nossos dias são dos pastores, bispos e apóstolos, que amam as riquezas e desprezam os pobres.

Agrada-me muito as igrejas que em seus prédios tem espaço para crianças, adolescentes, jovens, e para a terceira idade. Que investem no material buscando não ter aparência de belo, mas em colaborar para a transformação de vidas! Ai sim, todo recurso material deve ser dependido sem dó, pois a prioridade é a prioridade de Jesus: construir o reino de Deus nas vidas das pessoas, e não a construção de um reinado material na terra.


QUAL É A PRIORIDADE? O SER OU O TER?




Não temais, ó pequenino rebanho; porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino. Vendei os vossos bens e dai esmola; fazei para vós outros bolsas que não desgastem, tesouro inextinguível nos céus, onde não chega o ladrão, nem a traça consome, porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
(Lucas 12. 33 e 34)


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