História e Bíblia

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terça-feira, 28 de julho de 2009

OS TRÊS IMPERATIVOS DE CRISTO - Parte 2


2. Vinde – A Formação do Líder.


O primeiro passo para a liderança eficaz é aprender, ou seja, ser discípulo.

“E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” Mt. 4.19.

Apesar do texto se referir a Pedro e André, o mesmo propósito estaria sobre a vida dos demais discípulos de Cristo. Portanto podemos partir do princípio que a primeira coisa que Jesus pensou sobre os seus discípulos foi “fazê-los”. E este fazer durou cerca de três anos e meio de trabalho de Cristo, e isso em tempo integral; o que segundo alguns teólogos equivaleriam dezesseis anos de faculdade de teologia.


a. Vinde é ser aluno: Formação teórica.


Alguém disse acertadamente a frase: “Aquele que não está pronto para sentar e aprender, também não está pronto para se levantar e ensinar”.

É certo que deste seu chamado já estava implícita a característica de trabalho, pescar homens, mas antes existe o “fazer”.

Mas o que é Fazer? O que Jesus queria dizer com isso? Nesta passagem Jesus faz uso de uma figura de linguagem, familiar àqueles homens. Eles eram pescadores por profissão, e não simples amadores que nos “feriados de sol quente” saiam com os amigos para os pesqueiros de Cafarnaum para se divertirem. Antes, suas vidas e sustento dependiam do êxito do ofício de pescador. E não era qualquer um que se tornava pescador. Jesus, por exemplo, certamente era bom carpinteiro, mas não entendia nada de pesca. (Por isso os dois milagres da pesca são excepcionais, Lc. 5. 4..., e Jo. 21.6). O pescador conhecia os segredos das águas, do tempo, dos lugares certos e oportunos para um boa pesca, sabiam escolher bem uma rede, e qual o melhor barco para o serviço. Todavia, isso não quer dizer que um carpinteiro, ou qualquer outra pessoa de outra profissão não poderia aprender a ser pescador; é isso que Jesus esta ensinado em suas palavra, que o pescador de vidas (o obreiro, o líder) aprende com um Mestre, com um Professor; que ele é antes de tudo um aluno, um discípulo da escola de Cristo.

“Discípulo - [Do lat. discípulus, discente] Aquele que se coloca sob tutela de um mestre a fim de aprender uma arte ou ofício, ou para enfronhar-se nas lides de um ministério bíblico”. (ANDRADE, 1998, p. 124)

É necessário investimento sobre a vida daqueles que almejam a liderança. A meu ver este investimento deveria partir da própria igreja que a pessoa pertence, já que num futuro próximo a própria congregação será beneficiada com a formação desse líder. Entretanto esta parece ser uma realidade distante de muitas igrejas brasileira, que, por exemplo, muitas vezes não pensam duas vezes antes de pagar uma alta soma em dinheiro para um avivalista pregar um dia num congresso, mas não disponibiliza exatamente nada para o suprimento de seus obreiros. Qual a igreja que nos conhecemos que tem uma biblioteca? Ou paga pela formação acadêmica de um membro seu (teólogo, psicólogo, etc.), realmente são poucas! Mas o certo, é que é fundamental algum investimento. E isto, se não partir da igreja, deverá então partir da própria pessoa que pretende o ministério. Fazer cursos, se possível uma faculdade de Teologia, de Psicologia, de Línguas, montar sua própria biblioteca de pesquisa, ganhar muito tempo (e não gastar) com leituras e pesquisas.

Jesus sabia conscientemente da enorme responsabilidade que é ser um líder, e não é de um simples líder que estamos falando, mas do tipo de liderança mais importante que existe entre os homens, a liderança que representa Deus entre os homens – “Quem vos der ouvido ouve-me a mim, e quem vos rejeitar a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar rejeita aquele que me enviou” Lc 10.16.

O Pentacostalismo, (como escreveu Caio Fabio pentecostal-ismo), talvez indiretamente, trouxe uma coisa maléfica para a igreja e sua liderança, que é a falsa idéia que “O Espírito Santo fará a obra”, tirando do líder toda responsabilidade e transferindo-a para o Espírito de Deus. A grande ênfase que os “pentecostais” dão a ação do Espírito (de forma equivocada), contribui para uma liderança mais fraca e despreparada, pois muitos destes atribuem tudo a Deus e ao Diabo, e não dão ao ser humano qualquer responsabilidade.

Por exemplo, muitos não preparam o sermão que vão pregar, crendo que o Espírito lhes dará na hora a mensagem, e mais, ainda dizem que os que antecipadamente preparam seus sermões estão na carne, fora da direção do Espírito. Estas pessoas não sentem o peso da responsabilidade que é falar em nome de Deus. Ou então, observamos pastores, que nunca dizem previamente quem ira pregar, pensando que o Espírito Santo vai revelar na hora quem deve ministrar. Eu não descreio da direção de divina, mas será que não seria melhor, que a revelação viesse antecipadamente ao pastor, para que ele informasse ao pregador, para que este preparasse adequadamente o que deveria falar?! Lembro-me que certa vez, numa igreja em que congregava, foi dada a um jovem a oportunidade de pregar, e quando ele assumiu a palavra, simplesmente ficou parado com a boca aberta. Quando o presbítero que dirigia o culto percebeu e perguntou ao rapaz o motivo de ficar assim, ele respondeu: “estou esperando”. “Esperando o que”, inquiriu o presbítero, e o jovem respondeu: “O Espírito me dar Palavra, pois esta escrito: eis que ponho as minhas palavras na tua boca, Jr 1.9”. É espantoso o número de pastores que nunca leram a Bíblia por completo.

Quando a igreja recebe uma jovem que foi violentada, ou uma criança carregada de problemas psicológicos, a culpa cai para o Diabo, a cura para o Espírito Santo e a igreja só faz uma coisa, orar (isso quando realmente ora, pois até isso está ficando raro). Porém, poucos são os que buscam uma capacitação para conseguir aconselhar e cuidar de pessoas que surgem na igreja com os mais diferentes dilemas. O líder deve ser muitas vezes o psicólogo de seus liderados, mas isso requer investimento, tempo gasto e dedicado na construção do saber. Uma coisa eu concordo, a cura vira pelo Espírito Santo, mas ele ministra através de pessoas que se dedicaram e se esforçaram, pois ele nos usa naquilo que nós temos e conhecemos.

Muitos pensam que após o dia de Pentecostes, os apóstolos se tornaram grandes conhecedores da Palavra, o que é um grande engano, pois se lermos o capítulo primeiro de Atos, vamos verificar o vasto conhecimento de Pedro sobre o Antigo Testamento. O que acontece a partir do Dia de Pentecoste, é simplesmente o Espírito de Deus usando com poder os apóstolos, naquilo que eles já conheciam e aprenderam desde a infância no judaísmo, e especialmente nos três anos e meio de discipulado com Jesus.

“Ao verem a intrepidez de Pedro e João, sabendo que eram homens iletrados e incultos, admiraram-se; e reconheceram que haviam eles estado com Jesus” At 4.13.

Hoje temos muitos pregando, aconselhando (estes estão cheios do achismo, pois nunca tem certeza do que dizem), pastoreando, enfim, liderando, sem terem passado pela escola de Cristo. Sinceramente eu não consigo conceber sinceridade na vida de alguém que diz amar a Deus, o povo de Deus, e não viver ansioso por aprender mais sobre este Deus maravilhoso que busca servir.

Gostaria de citar apenas mais um exemplo para ilustrar nossa decadência de liderança. Há poucos dias, um casal conhecido meu, sofreu um grave problema conjugal que resultou na separação. Mas o que me espantou foi a postura do pastor deste casal, que disse não ter tempo para visitá-los e pediu para que o grupo de jovens da igreja fosse aconselha-los! Já imaginaram, o pastor enviando pessoas que não conhecem praticamente nada de relações e problemas conjugais, para ministrar aconselhamento – então eu digo “Que país, ou me desculpem, que igreja é esta”.

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