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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O SUBMUNDO DAS CANAS

A matéria abaixo é da Folha de São Paulo, e além de mostrar uma triste realidade do Brasil esboça sua relação histórica.

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O SUBMUNDO DAS CANAS

Como na virada do século 16 para o 17, quando o país era o líder do fabrico de açúcar, a cana oferece imensas oportunidades ao Brasil, em torno do álcool combustível do qual ela é matéria-prima. O etanol pode se transformar em commodity, com cotação no mercado internacional. As usinas geram energia elétrica.

A riqueza do setor sucroalcooleiro, que movimentará neste ano R$ 40 bilhões, não atingiu os lavradores. Em 1985, um cortador em São Paulo ganhava em média R$ 32,70 por dia (valor atualizado). Em 2007, recebeu R$ 28,90. A remuneração caiu, mas as exigências no trabalho aumentaram. Em 1985, o trabalhador cortava 5 toneladas diárias de cana. Na safra atual, 9,3.

Em 19 cidades do interior -na capital foi ouvido um representante dos empresários- , os repórteres procuraram entender por que, entre nove culturas agrícolas, a da cana reúne os trabalhadores mais jovens.

Exige alto esforço físico uma atividade em que é preciso dar 3.792 golpes com o facão e fazer 3.994 flexões de coluna para colher 11,5 toneladas no dia. Nos últimos anos, mortes de canavieiros foram associadas ao excesso de trabalho.

Conta-se a seguir o caso de um bóia-fria que morreu semanas após colher 16,5 toneladas. Não há paralelo em qualquer região com tamanho rendimento.

Na estrada, flagraram-se ônibus deteriorados, ausência de equipamentos de segurança no campo, moradias sem higiene e pagamento de salário inferior ao mínimo.

Conheceram-se comunidades de canavieiros que dependem do Bolsa Família, migrantes que tentam a sorte e lavradores que querem se livrar do crack e de outras drogas.

Descobriram-se documentos que comprovam a existência de fraudes no peso da cana, lesando os lavradores.

Escravidão

No auge e na decadência do ciclo da cana-de-açúcar, os escravos cuidaram da lavoura e puseram os engenhos para funcionar. A arrancada do etanol brasileiro foi dada por lavradores na maioria negros.

Assim como os escravos sumiram de certa historiografia, os cortadores são uma espécie invisível nas publicações do setor. Exibem-se usinas high-tech, mas oculta-se a mão-de-obra da roça.

Impressiona na viagem ao mundo e ao submundo da cana a semelhança de símbolos da lavoura atual com a era pré-Abolição. O fiscal das usinas é chamado de feitor.

Acumulam-se denúncias de trabalho escravo. É um erro supor que as acusações de degradação passem longe do Estado mais rico do país e se limitem ao "Brasil profundo". Uma delas é narrada adiante. Em São Paulo, localiza-se Ribeirão Preto, centro canavieiro tratado como a nossa "Califórnia".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem minimizado os relatos sobre trabalho penoso nos canaviais. No ano passado, ele disse que os usineiros "estão virando heróis nacionais e mundiais porque todo mundo está de olho no álcool".

O medo de retaliações é grande entre os canavieiros. Nenhum nome foi mudado nos textos, mas algumas pessoas, a pedido, são identificadas apenas pelo prenome ou nem isso. As entrevistas foram gravadas com consentimento.

São muitos esses anti-heróis: segundo os usineiros, há 335 mil cortadores de cana no Brasil, incluindo os 135 mil de São Paulo. No Estado, prevê-se a extinção do corte manual para 2015, junto com as queimadas que facilitam a colheita.

O canavial não está tão longe quanto parece: ao encher o tanque com 49 litros de álcool, consome-se uma tonelada de cana; quando se adoça com açúcar o café da manhã, milhares de brasileiros já estão na lavoura de facão na mão.

Matéria da Folha de São Paulo. Outubro de 2008.


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Contrastes: As Modernas Usinas de Etanol x a dura vida de muitos cortadores de cana:





Uma palavra de Deus contra a injustiça:

A Bíblia apresenta a na história da formação do povo hebreu um momento em que o povo esteve escravizado e vivendo em circunstâncias de trabalho duríssimas:


“E os egípcios puseram sobre eles feitores de obras, para os afligirem com suas cargas. E os israelitas edificaram a Faraó as cidades-celeiros, Pitom e Ramessés.” (Êxodo 1.11)

Mas a Escritura Sagrada afirma que Deus viu a difícil aflição do povo e se comprometeu a promover sua libertação:

Êxodo 3.

7. Disse ainda o SENHOR: Certamente, vi a aflição do meu povo, que está no Egito, e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhe o sofrimento;

8. por isso, desci a fim de livrá-lo da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel; o lugar do cananeu, do heteu, do amorreu, do ferezeu, do heveu e do jebuseu.

9. Pois o clamor dos filhos de Israel chegou até mim, e também vejo a opressão com que os egípcios os estão oprimindo.

Dessa forma podemos ver que Deus quer a libertação e a salvação humana não apenas no “campo espiritual”, da alma, antes Deus preza pelo bem estar do homem por completo e se opõe contra toda e qualquer injustiça!

A Missão da Igreja diante das injustiças

A Igreja tem um papel a desempenhar dentro de circunstancia como a descrita na matéria acima. Principalmente aquela que diz ter o Espírito de Deus. É urgente aplicarmos para nossa realidade textos como o do profeta Miquéias:

Miquéias 3.

8. Mas, decerto, eu sou cheio da força do Espírito do SENHOR e cheio de juízo e de ânimo, para anunciar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado.

9. Ouvi agora isto, vós, chefes da casa de Jacó, e vós, maiorais da casa de Israel, que abominais o juízo e perverteis tudo o que é direito,

10. edificando a Sião com sangue e a Jerusalém com injustiça.

Ser cheio do Espírito de Deus é ter a força, a coragem, a audácia de denunciar para os líderes da nação, para aqueles que detêm o poder, seja político, seja econômico, a corrupção e a imoralidade que praticam, chamá-los para o arrependimento e apresentar uma nova perspectiva de trabalho, de conduta e de vida, isto é o Reino de Deus em sua essência.

O profeta Miquéias denuncia claramente que sua nação estava sendo construída a preço de sangue dos explorados, daqueles que tinham seu direito negado, que a injustiça era a base do que os lideres de Jerusalém chamavam de progresso (v.10).

Da mesma forma o Etanol, orgulho do Brasil, riqueza nacional, tem sido produzido pelos nossos “escravos hebreus”. E aguardam que surja um libertador.

E esta é apenas uma das muitas áreas que necessitam de atenção e cuidado!

Alexandre L.M Brandão.



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