História e Bíblia

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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Contra o consumismo




Quatro “erres” contra o consumismo


A fome é uma constante em todas as sociedades históricas. Hoje, entretanto, ela assume dimensões vergonhosas e simplesmente cruéis. Revela uma humanidade que perdeu a compaixão e a piedade. Erradicar a fome é um imperativo humanístico, ético, social e ambiental. Uma pré-condição mais imediata e possível de ser posta logo em prática é um novo padrão de consumo.


A sociedade dominante é notoriamente consumista. Dá centralidade ao consumo privado, sem autolimite, como objetivo da própria sociedade e da vida das pessoas. Consome não apenas o necessário, o que é justificável, mas o supérfluo, o que questionável. Esse consumismo só é possível porque as políticas econômicas que produzem os bens supérfluos são continuamente alimentadas, apoiadas e justificadas. Grande parte da produção se destina a gerar o que, na realidade, não precisamos para viver decentemente.


Como se trata do supérfluo, recorrem-se a mecanismos de propaganda, de marketing e de persuasão para induzir as pessoas a consumir e a fazê-las crer que o supérfluo é necessário e fonte secreta da felicidade.


O fundamental para este tipo de marketing é criar hábitos nos consumidores a tal ponto que se crie neles uma cultura consumista e a necessidade imperiosa de consumir. Mais e mais se suscitam necessidades artificiais e em função delas se monta a engrenagem da produção e da distribuição. As necessidades são ilimitadas, por estarem ancoradas no desejo que, por natureza, é ilimitado. Em razão disso, a produção tende a ser também ilimitada. Surge então uma sociedade, já denunciada por Marx, marcada por fetiches, abarrotada de bens supérfluos, pontilhada de shoppings, verdadeiros santuários do consumo, com altares cheios de ídolos milagreiros, mas ídolos, e, no termo, uma sociedade insatisfeita e vazia porque nada a sacia. Por isso, o consumo é crescente e nervoso, sem sabermos até quando a Terra finita agüentará essa exploração infinita de seus recursos.


Não causa espanto o fato de o Presidente Bush conclamar a população para consumir mais e mais e, assim, salvar a economia em crise, lógico, à custa da sustentabilidade do planeta e de seus ecossistemas. Contra isso, cabe recordar as palavras de Robert Kennedy, em 18 de março de 1968: ”Não encontraremos um ideal para a nação nem uma satisfação pessoal na mera acumulação e no mero consumo de bens materiais. O PIB não contempla a beleza de nossa poesia, nem a solidez dos valores familiares, não mede nossa argúcia, nem a nossa coragem, nem a nossa compaixão, nem a nossa devoção à pátria. Mede tudo menos aquilo que torna a vida verdadeiramente digna de ser vivida”. Três meses depois foi assassinado.


Para enfrentar o consumismo urge sermos conscientemente anti-cultura vigente. Há que se incorporar na vida cotidiana os quatro “erres” principais: Reduzir os objetos de consumo, Reutilizar os que já temos usado, Reciclar os produtos dando-lhes outro fim e finalmente Rejeitar o que é oferecido pelo marketing com fúria ou sutilmente para ser consumido.


Sem este espírito de rebeldia conseqüente contra todo tipo de manipulação do desejo e com a vontade de seguir outros caminhos ditados pela moderação, pela justa medida e pelo consumo responsável e solidário, corremos o risco de cairmos nas insídias do consumismo, aumentando o número de famintos e empobrecendo o planeta já devastado.

Leonardo Boff - Teólogo



***




O cristão e o consumismo


Lucas 12. 15

“Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.”


“O homem é filho do seu tempo”. Essa frase é conhecida de todo historiador, e carrega uma grande verdade: nós somos “um produto” das circunstâncias que nos rodeiam, ou seja, muito daquilo que pensamos, cremos, entendemos, fazemos e produzimos tem haver com a forma de ser da sociedade em que nascemos e fomos criados.


Sendo assim o mundo capitalista, consumista e individualista que vigora hoje tem determinado em muito a forma de cristianismo vigente. Porém, isso é ceder ao que não é evangelho, pois este foi produzido não com pressupostos do capitalismo. Mas interpretações, criações de instituições religiosas, formação teológicas, podem sim, terem sido formadas a partir da mistura profana de elementos do verdadeiro evangelho com o que determina a sociedade. Basta uma simples olhada em canais evangélicos, ou uma rápida visita em sites ou cultos de muitas igrejas, e fazer uma comparação. O que tem na bíblia de campanhas do tipo “corrente dos empresários”, “voto da casa, carro, próprio”? Até mesmo nas músicas gospel percebe-se o distanciamento do teor de suas letras dos ensinamentos do evangelho e a aproximação clara de uma vida onde a felicidade é pautada no consumismo. Pode-se até mesmo ir mais longe. Basta pesquisarmos um pouco sobre a História da Igreja, e logo vamos perceber a grande diferença do propósito de vida dos primeiros cristãos com o modo de vida dos cristãos de hoje. Antes a vida cristã era pensada comunitariamente, seja nas orações de uns pelos outros, seja no partir do pão, que ia além do pão partido na ceia, para a caridade que alimentava os menos favorecidos. Hoje, grande parte dos cristãos se preocupa com a felicidade própria, orando por si mesmos, e buscando uma prosperidade que apenas o contemple. Dessa forma o mercado está até mesmo dentro das igrejas, não apenas no comércio de material evangélico, mas na “venda do favor de Deus” – como quando uma água supostamente ungida é vendida, ou simplesmente se diz que na oferta está o poder de alcançar o favorecimento de Deus, ou seja, um evidente comércio onde há troca de valores, a compra de coisas.


Um pequeno teste:


Qual igreja hoje é capaz de ler, pregar, ensinar e viver pelo menos esse texto do evangelho?


Lucas 14. 12 – 14.


“E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos. E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos.”


Agora cabe a pergunta: A igreja de hoje é filha desse tempo consumista, capitalista e individualista? Ou a igreja é filha do evangelho?


Uma coisa é certa, até para o mais ateu historiador, o evangelho não é filho, nem criação desse sistema que impera na atualidade!


A igreja tem a possibilidade de escolher entre o evangelho puro e simples, como está escrito, ou seguir o curso desse mundo!


Alexandre L.M Brandão.



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