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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Teologia: A Fala de Deus


Teologia: A Fala de Deus.
Por Edson Maciel

"Todo homem é um filósofo" (Gramsci)


O axioma acima é irrefutável! Mesmos tendo sido pronunciado por alguém alheio a Palavra de Deus. Afinal todo ser que pensa, que tem habilidade racional e intuitiva, que pode desenvolver –se cognitivamente é, por excelência, filósofo. Se filosofia, por definição, é amor ao saber ou amigo do saber, (Φιλοσοφία), logo todo ser pensante e por consequencia aprendente, pois quen pensa tende a aprender com o resultado de sua equação mental, por isso todo homem é um filosofo. Tomemos o exemplo biblico bem corriqueiro:

Lucas 12:54-56 – “Dizia também às multidões: Quando vedes subir uma nuvem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva; e assim sucede; e quando vedes soprar o vento sul dizeis; Haverá calor; e assim sucede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeis então discernir este tempo?

De acordo com a fala de Jesus o grande problema do homem, em particular de seus seguidores, é o de saber discernir. Podemos ter como base também os escritos de Salomão em Eclesiastes. Vejamos:

Eclesiastes 3:1-8 – “Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.

Tanto Salomão quanto Jesus alertam para a sabedoria popular. A vivência, o tempo, uma postura inteligente de se viver faz com que consigamos aprender a “prever” determinadas situações e, então, preparar-se para as circunstancias advindas.
Porém a grande questão é, para nós cristãos, aprender a discernir as coisas de Deus. Será possível “aprender” a discernir. Provavelmente não e sim. Afinal discernimento além de ser uma arte humanamente possível, pois a arte de raciocinar, como vimos nos exemplos bíblicos acima, nos permite prever determinados acontecimentos. Mas discernir também é um dom dado pelo Espírito Santo (1 Co 12:10b).
O pressuposto nosso é: pensar teologicamente. Tendo como premissa que o termo teologia o conceito de “o que Deus esta falando”. Por definição, optamos por A. H. Strong, que diz: “Teologia é a ciência de Deus e das relações entre Deus e o universo”.
O que queremos dizer com “pensar teologicamente” é, portanto, buscarmos bases firmes, alicerces bem fundamentados para entendermos o propósito divino para nossas vidas. Ou melhor dizendo, viver de forma inteligente para Deus proporcionará uma relação saudável entre nós e Deus. É a bússola, o norte, o referencial já temos, a saber: A Bíblia Sagrada. A Palavra de Deus inerrante e infalível. Tendo estes pressupostos em mente podemos concluir então que:
1 – Sou um ser pensante: consigo raciocinar e buscar soluções para um viver melhor.
2 – Sou um ser religioso: consigo me relacionar com Deus, o criador de todas as coisas, por isso preciso usar minha capacidade de reflexão para que este relacionamento seja desenvolvido de forma saudável e sempre de aproximação.
3 – Sou um ser aprendente: posso desenvolver minha capacidade pensante e religiosa de forma positiva e construtiva, contribuindo para um viver melhor meu e de meus semelhantes.


Teologia se faz com Raciocínio
Vamos Raciocinar com Lógica! Isso é fácil de se dizer, e até mesmo de se praticar. Contudo, quando alguém diz que se deve raciocinar com lógica, o que de fato esta querendo dizer, ou melhor dizendo, como fazer isso? Basicamente existem dois tipos de raciocínio lógico: O DEDUTIVO e o INDUTIVO. O indutivo é comumente usado pelos sistemas religiosos, mesmo entre as Igrejas tradicionais, pois é dai que se formulam as chamadas doutrinas, e dai que se elaboram os famosos Regimentos Internos (R. I.); é também a partir de raciocínios indutivos que se originaram sétimo Dia, Igreja da Unificação, Mórmons e, porque não dizer a Congregação Cristã no Brasil. Em geral tais grupos formam um seleto grupo de “especialistas” que elaborarão suas chamadas “doutrinas” elementares. E seus adeptos não necessitarão lerem mais nada, pois o que precisam saber já esta produzido por seus “especialistas”, pelo que os Testemunhas de Jeová denominam de: Escravo Fiel e Discreto ou Corpo Governante. A indução, neste caso, tem por base o texto contido em Mateus 24:45-47:

Quem é realmente o escravo fiel e discreto a quem o seu amo designou sobre os seus domésticos, para dar-lhes o seu alimento no tempo apropriado? Feliz aquele escravo, se o seu amo, ao chegar, o achar fazendo assim! Deveras eu vos digo: ele o designará sobre todos os seus bens.

Quem não gostaria de ser este quem Jesus se refere? É tentadora a ideia de aplicar a si mesmo ou a um grupo, (de preferência o nosso), de ser ou sermos os detentores da verdade ultima. Tentador é deveras perigoso. Pois a lógica indutiva tem as seguintes características:
Método indutivo é aquele que parte de questões particulares até chegar a conclusões generalizadas. Este método é de raciocinar é precário, por não permitir a quem dele se utiliza uma maior possibilidade de criar novas leis, novas teorias.
Outra forma de raciocinar é usando a lógica dedutiva. A diferença é fundametal, principalmente nas conclusões. E para nós que buscamos ler, entender, interpretar, analisar para aplicar na vida ora chamamos de cristã, a exegese, para ser mais confiável, deve ter premissas que não deixem parametros para dúvidas. Óbvio que a Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4:1) ea leitura de forma sistemática e buscando sempre uma interpretação que seja mais próxima possível da inteção do autor e da vontade de Deus. Portanto:
“Método dedutivo é a modalidade de raciocínio lógico que faz uso da dedução para obter uma conclusão a respeito de determinada(s) premissa(s).
A indução normalmente se contrasta à dedução. Essencialmente, os raciocínios dedutivos se caracterizam por apresentar conclusões que devem, necessariamente, ser verdadeiras caso todas as premissas sejam verdadeiras.
Possui base racionalista e pressupõe que apenas a razão pode conduzir ao conhecimento verdadeiro. Partindo de princípios reconhecidos como verdadeiros e inquestionáveis (premissa maior), o pesquisador estabelece relações com uma proposição particular (premissa menor) para, a partir de raciocínio lógico, chegar à verdade daquilo que propõe (conclusão).”[1]
Basicamente a diferença entre as duas formas de se raciocinar é:
“A lógica diferencia duas classes fundamentais de argumentos: os dedutivos e os indutivos. Os argumentos dedutivos são aqueles que as premissas fornecem um fundamento definitivo da conclusão, enquanto nos indutivos as premissas proporcionam somente alguma fundamentação da conclusão, mas não uma fundamentação conclusiva, identificando dessa maneira os conceitos de dedução e raciocínio válido. Uma outra maneira de expressar essa diferença é dizer que numa dedução é impossível que as premissas sejam verdadeiras e a conclusão falsa, mas no raciocínio indutivo no sentido forte isso é possível, mas pouco provável. Num raciocínio dedutivo a informação da conclusão já está contida nas premissas, de modo que se toda a informação das premissas é verdadeira, a informação da conclusão também deverá ser verdadeira. No raciocínio indutivo a conclusão contém alguma informação que não está contida nas premissas, ficando em aberto a possibilidade de que essa informação a mais cause a falsidade da conclusão apesar das premissas verdadeiras.”[2]
Concuindo entao nosso raciocinio lógico dedutivo, a logica indutiva parte das partes para entender o todo enquanto que a dedutiva busca ter todas as informações para entender as partes. E é esta a forma que adotamos para elaborarmos uma exegese confiavel e acima de qualquer suspeita, levado-se em conta que a Palavra de Deus não deve ser usada com fins obscuros, ou como esta escrito em 2 Pedro 1:20:

Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

Teologia: Deus se Revelando de Forma Sistemática
Nossa proposta é estudar as doutrinas principais da Bíblia, de forma clara e buscando sempre analises exegéticas da principal fonte cristã: a Bíblia. Estudaremos as seguintes doutrinas:

1 – Teologia Deus: Doutrina de Deus
2 – Cristologia: Estudo acerca de Cristo
3 –  Pneumatologia: Estudo acerca do Espírito Santo[3]

Entendemos que ao estudarmos estas três principais doutrinas cristãs, nos apropriaremos, de maneira geral de uma das principais doutrinas bíblicas, a saber, soterologia, que é a Doutrina da Salvação.
Antes, porém, mas fazer uma breve abordagem sobre como o homem chegou a se apropriar de tais estudos. Sim, pois para que chegássemos a elaborar estudos sistemáticos sobre estes e outros assuntos acerca de Deus, Jesus e o Espirito Santo, foi necessário que houvesse por parte de Deus tomar a iniciativa, afinal o homem por si mesmo é alheio a Deus (Efésios 4:18). Este, digamos, contato, denomina-se REVELAÇÃO.

Teologia e Revelação
Tudo se inicia em Genesis. Sem Genesis e esta clara demonstração do amor de Deus ao se revelar ao homem, não sabemos como poderia ser a vida humana. Deus, em sua infinita bondade criou todas as coisas e se manifestou aos homens. Revelando-se. Latourelle (1985, p.13), assim define o inicio da religião tendo por suposto a Revelação:
Caracteriza-se a religião do Antigo Testamento pela afirmação de uma intervenção de Deus na historia, intervenção devida unicamente à sua decisão. É concebida essa intervenção como o encontro de alguém com alguém: alguém que fala com alguém que ouve e responde. Dirige-se Deus ao homem como um Senhor a seu servo, interpela-o, que ouve a Deus, responde pela fé e pela obediência. O fato e o conteúdo dessa comunicação, nós chamamos de revelação.

Podemos afirmar que cristianismo adota quatro diferentes revelações, a saber:

1 – A Revelação da Natureza:
♦ Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento atesta a obra de Suas mãos. Um dia ao seguinte transmite esta mensagem; uma noite à outra a comunica. Não é linguagem humana, não há palavras e som algum é percebido. (Salmos 19:1-4)[4]

2 – A Revelação Escrita:
♦ Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. (Hebreus 4:12)

♦ Temos ainda mais firme a palavra profética à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma candeia que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da alva surja em vossos corações; sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens, mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo. (2Pedro 1:19-21).

3 – Revelação Especial: O Verbo Encarnado
♦ Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo de lei, (Gálatas 4:4)

♦ No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai. (João 1:1-3, 14)

♦ E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais, mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo, o qual, na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifesto no fim dos tempos por amor de vós, que por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a vossa fé e esperança estivessem em Deus. (1 Pedro 1:17-21)

Estes meios de Deus se revelar possibilitam que o homem se encontre com Ele. Quanto mais o homem perscruta em busca da revelação, mais se aproxima de Deus; e quanto maior o conhecimento de Deus, maior a fé e menor o medo. Se a iniciativa foi de Deus em se auto revelar inferimos que a sua intenção era a de se aproximar cada vez mais de sua criação.

   Deus


Natureza                  Bíblia                 Cristo


     Homem
O plano divino sempre foi o de se aproximar de sua criação, em especial do homem. E Sua intervenção é sutil e marcante ao mesmo tempo. Pois poderia ter criado o homem sem vontade, sem capacidade de escolher. Mas optou em criar um homem com habilidade racional e moral, para se revelar a ele e dar-lhe a chance de optar se converter ou não.









Fontes Bibliográficas

BÌBLIA HEBRAICA. São Paulo: Sefer, 2006.
LATOURELLE, René. Teologia da Revelação. 4.ed. São Paulo: Edições Paulinas, 1985.

Autor: Edson Maciel, pastor e teólogo.



[3] Existem outra gama de estudos que poderíamos inserir, como hamartiologia (estudo do pecado), angelologia (estudo dos anjos), antropologia (estudo sobre o homem), porém nesse momento faremos dentro destas três principais doutrinas as abordagens que forem necessárias sobre estas e outras que forem necessárias.

[4] Texto extraído da Bíblia Hebraica, Ed. Sefer, 2006.

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