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terça-feira, 13 de setembro de 2011

A vingança de Balaio

Balaiada

A Balaiada foi uma importante revolta ocorrida no Maranha entre 1838 e 1841, iniciando no Período Regencial e terminando no governo de D. Pedro II. Uma dos líderes do movimento era uma fabricante de balaios, Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (daí o nome balaiada). Quando eu ainda estudava na faculdade, em um seminário, um colega apresentou um poema sobre o assunto que tem, além de fundamentação histórica, um profundo toque artístico e humano.



A vingança de Balaio

Nos tempos da Regência
No Nordeste brasileiro 
Caminhava triste figura 
Entre o sonho e desespero

Tá aqui a minha história
Artesão da região 
Do sertão do Maranhão 
Manuel Francisco Ferreira dos Anjos

Pelas bandas de Coroatá, me chamavam de Balaio
Mas só lhes peço uma coisa antes de começá: 
Não me olhem de soslaio 
Nem desandem a chorá

Não vivia de agregado
Nem tão pouco era empregado 
De herança de meu pai 
Um terreno acatingado

Onde plantava o que comia
E comia o que plantava 
Quatro bucho pra encher 
Era pouco o que sobrava

A fartura não havia
Ou melhor, havia sim! 
Fartava carne, fartava fruta, 
Fartava água até aipim.

Fazia com carinho
Cesta de palha e peneira 
Na oficina minhas filha 
Era elas costureira

Eu vendia os balaio
De domingo lá na feira 
Que montavam no terreiro 
Infestado de poeira

Eu vos digo meus amigos
Tudo, tudo é forte no sertão 
Grande e forte é a lei 
Da peixeira e do facão

Forte é o sertanejo
Que ninguém sabe seu nome 
Forte seca, forte sede 
Forte sol e forte fome

Na venda do Bastião
Onde ia a tardezinha 
Trocar por outras coisas 
Minhas sacas de farinha

Proseava horas sobre
As últimas de Coroatá 
Até que a patroa 
Acenava  pra volta.

Numa tarde ensolarada
Olhando ao longe vejo 
Tropas legalistas 
Cruzarem o vilarejo

Sujeitos desalmados
E cheios de maldade 
Voltei esbaforido 
Mesmo assim já era tarde
Minha mulher tremia
No chão chorando me contava 
O causo que a pouco 
Infelizmente se passava
Minha raiva e minha ira
Eles tinha despertado 
Minhas filhas tão amadas 
Eles tinham desonrado
Carreguei comigo
Uma sede de vingança 
Vida simples e tranqüila 
Ficaram na lembrança

Aperto no peito, nó na garganta
E dor no coração 
Perseguir aqueles cabras 
Por todo Maranhão

Fui pedaço de vida em fim de feira*
Ave bala que tem mira certeira* 
Vingança! Oh palavra incandescente! 
Sou Balaio, sozinho um impotente

Com amigos, conhecidos, muita gente
Sou a presa afiada da serpente* 
Que cochila nos pés do cangaceiro* 
Essa noite eu retalho o mundo inteiro!

Agora quero justiça
E adentro a Balaiada 
Que foi, com tal nome 
Por minha causa batizada

Minha morte veio antes
Da revolta terminada 
Porém minha vingança 
Foi em parte executada

Nas veredas estreitas do universo
Matei muitos legalistas eu confesso 
Mas no meio dos legais eu matei gente 
O mesmo erro, era gente inocente!

(*Trechos de cantigas e literatura de cordel popular presentes na cultura nordestina).

Autor: Pedro Jr. Peres.

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