História e Bíblia

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

As Brumas da fé


caminhando pelas brumas

As Brumas da fé

“- Olhe como a rainha parece jovem - murmurou uma mulher ao lado de Morgana. - Arthur casou-se com ela no ano em que tive meu primeiro filho e olhe para mim.- Morgana olhou sua interlocutora, curvada e sem dentes:- Ouvi dizer que a irmã bruxa do rei, Morgana das Fadas, deu-lhe encantamentos para manterem a juventude...

- Com ou sem encantamentos - resmungou uma outra velha desdentada -, se a rainha Gwenhwyfar tivesse que limpar um estábulo noite e dia e dar a luz uma criança todo ano e amamentá-la em bons e maus tempos, não teria toda beleza, que Deus a abençoe! As coisas são como são, mas eu gostaria que algum padre me dissesse por que ela tem tudo de bom e eu, toda a miséria!

- Pare de reclamar - disse a primeira. - Ficará de barriga cheia hoje e poderá ver todas as damas e cavaleiros, sabe o que os velhos druidas costumavam dizer sobre a razão de as coisas serem como são. A rainha Gwenhwyfar tem vestidos finos, lindas jóias e a ocupação de rainha, porque ela foi boa em suas vidas passadas e a razão por que você e eu somos pobres e feias é que somos ignorantes e um dia, se tomarmos cuidado com o que fazemos nesta vida, haverá um destino melhor para nós também.

- Oh, sim - resmungou a outra velha -, padres e druidas são todos iguais. O druida diz isso e o padre afirma que se cumprirmos nosso dever nesta vida iremos para o céu e viveremos com Jesus e nos banquetearemos com Ele lá e jamais voltaremos para este mundo infeliz! Tudo dá na mesma, o que quer que eles digam: alguns nascem na miséria e morrem na miséria e outros têm tudo!”

(BRADLEY, Marion. As Brumas de Avalon.)

O sofrimento – uma reflexão

O Texto acima é parte da ficção “AS BRUMAS DE AVALON”, livro que retrata a vida do lendário rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, com ênfase nas personagens femininas da trama. Mas este trecho em particular me chamou atenção, pois retrata um principio de muitas religiões.

Particularmente no trecho acima, Morgana, a irmã de Arthur, vestida como mendiga, estava entre as camponesas num banquete anual do rei. Na conversa, uma das miseráveis aldeãs pergunta para si o que gostaria ouvir da igreja:

“eu gostaria que algum padre me dissesse por que ela [a rainha Gwenhwyfar, mulher de Arthur] tem tudo de bom e eu, toda a miséria”

Houve três respostas:

Primeiro, a irmã do rei era feiticeira, e por isso a rainha era sempre bela e jovem!

Segundo, conforme a pregação dos druidas, sacerdote religioso celta, os que têm uma boa vida é porque em uma suposta vida passada, fizeram o bem, e agora na vida presente, são recompensados. Já os desafortunados do presente são assim castigados por conta de uma vida ruim em encarnações passadas.

Terceiro, segundo os padres, cada um recebe nessa vida sua porção que lhe cabe segundo a vontade de Deus, mas todos os fiéis na eternidade, após a morte, receberão seus benefícios de Deus.

Esses pensamentos estão presentes entre nós. Muitos (inclusive evangélicos) creditam ao diabo ou a Deus tudo o que acontece em vida. Assim como no primeiro argumento, em que a beleza da rainha era entendida como obra de feitiçaria, para muitos hoje, um desemprego ou doença, por exemplo, é motivado pelo demônio.

Também há as religiões que tentam consolar os que sofrem com argumentos que na verdade tira toda perspectiva de vida, de luta, de revolução da própria existência, pois, segundo ensinam, apenas colhemos o que plantamos em outra vida.

Mas a nossa problemática está no pensamento cristão que é alienante da vida terrena, pois dá uma esperança de mudança que só será alcançada no além, pois em vida devemos nos conformar com o que Deus nos deu.

Uma quarta resposta

No próprio texto de As Brumas de Avalon, uma das pobres mulheres argumenta que até a mais bela rainha, se trabalhasse dia após dias nos estábulos, e tivesse muitos filhos, estaria envelhecida e acabada. Parece que só nesta houve certa clareza da realidade. Não era magia, nem Deus e nem o diabo quem causava a beleza de uma e a miséria de outra, mas o muito e duro trabalho dos servos, privados das regalias da corte que fazia a diferença entre as classes.

Assim hoje, precisamos de uma mensagem cristã não para futuro, mas para agora. Que seja socorro e libertação do que sofre hoje. Os cultos de campanhas, de votos miraculosos, etc., são tão simplistas quanto os padres ou druidas do romance citado. Tudo fica na esperança e promessa, mas nada é feito para que uma mudança revolucionária de fato ocorra. É claro que a fé, a esperança, uma vida de oração tem seu imenso significado. Mas está fé tem de ser prática, esta oração fervorosa deve mover a vida na luta pela vida.

Mas é na igreja, portadora da mensagem, que deve recair o maior peso. Assim como a pobre camponesa esperava do padre uma resposta, as massas esperam dos pastores uma luz. Basta de só promessas. É urgente uma igreja viva, que dê o pão ao faminto, que console o que chora, que agasalhe o que tem frio, que esteja do lado do enfermo, etc.

O sofrimento existe e atinge a todo, mas em especial as classes baixas são as mais afetas, e isto é fato! Cabe a igreja, portadora da revelação de Deus, levar o reino de Deus, que não é no céu, mas na terra, entre os homens.

Tiago 2. 14 -17

Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo?

Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

Mateus 25. 37 - 40

Então, perguntarão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber?

E quando te vimos forasteiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos?

E quando te vimos enfermo ou preso e te fomos visitar?

O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.

Alexandre L M Brandão.

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