História e Bíblia

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Num pequeno vilarejo da Europa Oriental, um velho camponês transportava em seus ombros uma pesada carga de lenha. Exausto, com as pernas bambas e os braços doloridos, largou o pesado fardo no chão e disse com raiva:

Quando será que a morte virá me pegar? Não aguento mais essa vida!

Para sua sorte - ou azar -, naquele exato momento o Anjo da Morte passava bem em cima de sua cabeça e, ao ouvir a súplica do camponês, se deteve. Passados alguns segundos, ele apareceu na frente do velho e disse:

— Aqui estou! Você me chamou?

O velho levou um susto tão grande com a aparição do Anjo que quase desmaiou. Recuperando o fôlego, respondeu baixinho:

— Chamei.

O Anjo da Morte se aproximou um pouco mais e disse com seu hálito gelado:

— E o que você quer?

O velho camponês, que estava tremendo da cabeça aos pés, respondeu:

— Que você me ajude a colocar esta carga de lenha de volta sobre os meus ombros.

O Anjo da Morte deu um sorriso, ajudou o velho e seguiu seu caminho.



 

***

O conto acima, atribuído à tradição popular judaica, nos ajuda a refletir sobre diversos aspectos da vida. Gostaria de destacar como, muitas vezes, devido ao peso das dificuldades, nos precipitamos em nossos pensamentos, desejos e palavras, sem a devida reflexão.

 

O velho do conto não desejava realmente a morte; ele desejava o alívio da pesada carga que carregava. A solução para o seu problema não era morrer, mas encontrar alívio para o peso que levava sobre os ombros.

 

Quando a morte apareceu diante dele, o velho percebeu que a vida tinha muito mais valor do que o fardo sobre seus ombros.

 

Essa história também nos lembra de duas importantes lições bíblicas. A primeira é que somos chamados a ajudar uns aos outros a carregar os fardos da vida:

 

“Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.”  

Gálatas 6:2

 

A segunda é que nem tudo o que pensamos deve ser dito. A sabedoria também consiste em refletir antes de falar:

 

“O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.”

Provérbios 13:3

 

Uma reflexão final:

Será que nossos fardos têm ofuscado nossa visão do valor da vida? E será que temos ajudado nossos irmãos a carregar suas pesadas cargas, para que suas vidas não se tornem amargas?


Por Alexandre L. M. Brandão

Refletindo sobre a vida





quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Conceitos poéticos

 

Conceitos poéticos

Os conceitos geralmente são técnicos.

Mas também existem os conceitos poéticos.

Quando o conceito é técnico ele carrega sua sabedoria, lógica e precisão (pelo menos tenta). Mas ele pode ser frio demais. Basta uma palavra mal colocada e pronto, a engrenagem emperra, como um fio desconectado ou posto no lugar errado. Na teologia quantas brigas (as vezes chamadas de debates) nasceram por causa da precisão técnica. Cismas e divisões surgiram pela defesa do que seria o mais preciso... pela defesa da Verdade, muitas vezes o Caminho ficou entulhado e a Vida ficou impedida de viver naqueles que mais precisavam.

O mesmo não ocorre com os conceitos poéticos. Por ele posso dizer o indizível. Posso chamar Deus de “a minha Rocha”, mesmo que ele não seja pedra. Posso chamar Jesus de Porta, mesmo que ele não tenha maçaneta. Posso chamar Jesus de Pastor, mesmo que ele não tenha cheiro de ovelha e seu rebanho não tenha lã.

O conceito técnico é valioso; não o nego. Mas, às vezes prefiro o conceito poético.

Por Alexandre L. M. Brandão

Refletindo sobre a vida.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ministério: Chamado ou Profissão? Russell Shedd


Ministério: Chamado ou Profissão? Russell Shedd





terça-feira, 4 de janeiro de 2011

VESTES SACERDOTAIS

Representação do sacerdote diante da Arca da Aliança


VESTES SACERDOTAIS

                A veste sacerdotal era muito diferente da veste do judeu comum. Além do mais, a vestimenta do sumo sacerdote diferia daquela do sacerdote comum.

                A. Calções. Entre os hebreus, só os sacerdotes usavam calções. Em alguns países vizinhos, tanto os calções como as calças eram usados pelos homens comuns.
                Os judeus usavam linho fino para fazer esta vestimenta sacerdotal. Evidentemente, servia como roupa de baixo de sorte que o sacerdote não ficasse exposto quando subia os degraus do templo para ministrar no altar (Êxodo 28:42-43). Esta vestimenta de baixo cobria o corpo do sacerdote desde a cintura até aos joelhos. Em vez de calças, os "calções" provavelmente eram um avental duplo. Outras referências a calções encontram-se em Êxodo 39:28; Levítico 6:10; 16:4; e! Ezequiel 44:18.

                B. Sobrepeliz ou manto. Os sacerdotes usavam também mantos de linho fino durante o serviço no templo. Essas vestimentas vinham do tecelão que fazia a peça inteiriça. Eram presas à cintura por um cinto decorado com trabalho de agulha (Êxodo 38:31-34). A vestimenta de Jesus era também um manto sem costura, simbolicamente mostrando seu sacerdócio universal (João 19:23; Hebreus 4:14-15). O manto ou ] túnica do sacerdote chegava quase a cobrir os pés e era tecido num] formato de losango ou xadrez.

                C. Tiara. O sacerdote comum usava uma tiara. Esta peça era feita 3 de linho fino (Êxodo 39:28). A palavra hebraica (migbaoth), da qual sei traduziu tiara, significa "ser sublime".

                D. Calçado. Durante o culto, os sacerdotes ficavam descalços. Antes de entrarem no tabernáculo, deviam lavar as mãos e os pés "Pôs a bacia entre a tenda da congregação e o altar, e a encheu água, para se lavar. Nela Moisés, Arão e seus filhos lavavam as mãos e os pés" (Êxodo 40:30-31). A área na qual os sacerdotes ficavam era considerada solo sagrado, como foi no caso de Moisés e a sarça ardente (Êxodo 3:5).

                E. Cuidado do cabelo. Vemos, em Levítico 21:5, que a calvície desqualificava um homem para o exercício do sacerdócio. Não permitido ao sacerdote rapar a cabeça ou rasgar as suas vestes mesmo para chorar a morte do pai ou da mãe (Levítico 21:10-11).


VESTES DO SUMO SACERDOTE

Um dos característicos que separavam o sumo sacerdote do sacerdote comum era o espargir de suas vestes com o óleo da unção (Êxodo 28:41; 29:21). Quando o sumo sacerdote falecia suas vestes passavam ao seu sucessor.
                As vestimentas do sumo sacerdote compunham-se de sete peças ― a estola, a sobrepeliz, o peitoral, a mitra, a túnica bordada, o cinto e os calções (Êxodo 28:4, 42).

Fabricação de roupas. A roupa usada pelos hebreus servia como símbolo externo dos sentimentos e desejos íntimos do indivíduo. As ocasiões festivas e alegres pediam cores vivas, enquanto a pessoa enlutada vestia pano de saco, o mais pobre tipo de vestimenta. As famílias israelitas faziam a maior parte de sua própria roupa. Nesta cena doméstica, o pai está fazendo sandálias de couro enquanto a mãe costura uma túnica do material que ela teceu.

                A. Estola. As vestes do sumo sacerdote eram feitas de linho simples (1 Samuel 2:18; 2 Samuel 6:14), como o eram as vestes de todos os sacerdotes. A estola, porém, era feita de "ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino retorcido" (Êxodo 28:6). Isto indica que ela era uma mistura de lã e linho, visto que o linho só podia ser tingido de azul. A "obra esmerada" significa algum tipo de bordado.
                A estola dividia-se em duas partes. Uma parte cobria as costas e a outra o peito do usuário. A vestimenta era presa nos ombros por uma grande pedra de ônix.
                O cinto da estola era feito de estofo azul, púrpura e carmesim entretecido com fio de ouro (Êxodo 28:8).

                B. Sobrepeliz da estola. A sobrepeliz da estola era de material inferior ao da estola, tingida de azul (Êxodo 39:22). Era usada sob a estola e mais comprida do que esta. A sobrepeliz não tinha mangas, A penas aberturas nos lados para os braços.
                A orla desta vestimenta tinha uma franja de romãs de estofo azul, púrpura e carmesim, com uma campainha de outro entre uma romã e outra. Essas campainhas eram presas à orla da sobrepeliz do sumo sacerdote para que se pudesse ouvir quando ele entrava no lugar santo ou de lá saía (Êxodo 28:32-35).

                C. Peitoral. O peitoral do sumo sacerdote acha-se descrito com pormenores em Êxodo 28:15-30. Era uma peça de material bordado, com cerca de 25 cm de lado, quadrado e duplo formando um saco ou bolsa.
                Esta vestimenta sacerdotal era adornada com doze pedras preciosas, cada uma delas trazendo o nome de uma das doze tribos de Israel (Êxodo 28:17-21). Os dois cantos inferiores eram presos ao cinto. Os anéis, as cadeias e outros prendedores eram de ouro ou de cordão de fina qualidade.
                O peitoral e a estola eram chamados de "memória" (Êxodo 28:12, 29), porque lembravam ao sacerdote seu relacionamento com as doze tribos de Israel. Também era chamado "peitoral do juízo" (Êxodo 28:15), talvez porque fosse usado pelo sacerdote, que era porta-voz da justiça e juízo de Deus à nação judaica. Também pode ter sido assim; chamado porque ele provia um receptáculo para o urim e o tumim, os oráculos sagrados que mostravam os juízos de Deus sobre os homens (cf. Números 26:55; Josué 7:14; 14:2; 1 Samuel 14:42).

                D. Mitra. A mitra, ou turbante superior, era o ornato oficial para a cabeça do sumo sacerdote (Êxodo 28:39). Era feita de linho fino, tinha muitas dobras, e seu comprimento total era de cerca de 7,3 m.
                Este pano comprido era enrolado em torno da cabeça na forma turbante. Na frente da mitra estava uma lâmina de ouro com as palavras hebraicas "Santidade ao Senhor" (Êxodo 28:36-43; 39:28, 30).

                E. Túnica bordada, cinto e calções. Esta túnica especial era de orla comprida, feita de linho, e bordada com um desenho como se nela houvessem pedras (Êxodo 28:4).  Os sacerdotes comuns também usavam esta vestimenta.
                O cinto das vestes do sumo sacerdote era enrolado em torno corpo diversas vezes, desde o peito em sentido descendente, pontas do cinto pendiam até aos tornozelos (Êxodo 29:5). Sob vestes sacerdotais, o sumo sacerdote usava o mesmo tipo de calções que o sacerdote comum.

 Obs. Túnica. A túnica era um manto exterior com mangas. O cinto ― às vezes ornamentado com metais preciosos, pedras ou bordado ― prendia esta vestimenta ao corpo

Fonte:  PACKER, James. TENNEY, Merrill. WHITE, William. Vida Cotidiana Nos Tempos Bíblicos. Editora Vida. São Paulo, Brasil.

Escolas da sinagoga 

Não sabemos quando se estabeleceram pela primeira vez as escolas da sinagoga, Alguns crêem que a prática remonta ao tempo do exílio na Babilônia. Não importa o tempo em que tenha começado, o fato é que na época do Novo Testamento a escola da sinagoga era parte vital da vida judaica.
                Todos os sábados os judeus se reuniam fielmente na sinagoga para ouvir o rabino ler as Escrituras e explicar a Lei, Esta atividade levou os muçulmanos a apelidar os judeus de "o povo do Livro". A sinagoga patrocinava classes especiais à parte das horas regulares de adoração. Durante a semana, os meninos iam a essas classes para estudar as Escrituras com professores qualificados. Essas classes suplementavam a educação religiosa que os meninos recebiam dos pais.
                O pai judeu preocupava-se muito mais com o caráter do professor do que com sua capacidade de ensinar. Naturalmente, exigiam dele que fosse competente em sua profissão, mas estavam muito mais interessados em que ele fosse um bom exemplo para os filhos. Os escritos judaicos da época do Novo Testamento dão-nos uma relação parcial das características ideais de um professor: Não devia ser preguiçoso. Devia ter um temperamento uniforme. Jamais devia revelar parcialidade. Nunca devia impacientar-se. Jamais devia comprometer sua dignidade dizendo gracejos. Nunca devia desestimular a criança. Devia mostrar que o pecado é repulsivo. Devia punir todos os malfeitos. Devia cumprir todas as suas promessas.
                Além da leitura das Escrituras, os meninos judeus também aprendiam regras de etiqueta, música, guerra, e outros conhecimentos práticos. Lemos como se disse de Davi "que sabe tocar [isto é, músico], e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras, e de boa aparência; e o Senhor é com ele" (1 Samuel 16:18). Podemos deduzir deste relato que Davi tinha uma educação refinada, como o tinha a maioria dos meninos judeus.
                Nos tempos do Novo Testamento, as escolas judaicas exigiam que todo estudante dominasse diversas passagens-chave da Escritura. De primária importância era o Shema, outra declaração de credo dos judeus (Deuteronômio 6:4-5). A seguir, em importância, vinham; Deuteronômio 11:13-21 e Números 15:37-41. Também se exigia que o;| aluno aprendesse os salmos de hallel ("louvor") (Salmos 113-118), i bem como o relato da criação (Gênesis 1-5) e as leis dos sacrifícios (Levítico 1-8). Se a criança tivesse inteligência fora do comum, podia examinar mais do livro de Levítico.
                Somente os meninos recebiam instrução formal fora do lar. Começavam reunindo-se na casa do professor, onde liam os rolos que continham porções das Escrituras, tais como o Shema. Esta era a escola primária da época.
                Quando os meninos atingiam idade suficiente para aprender as lições sabáticas, eles se reuniam na "casa do Livro" ― a sinagoga. Aqui eles entravam na sala onde eram guardados os rolos da Tora e preparavam as lições sob a supervisão do Hazzan, o guardador dos rolos.
Mais tarde lhes era permitido discutir questões da Lei com os mestres fariseus. Essas discussões constituíam o nível "Secundário" da educação judaica.
                Nos tempos do Novo Testamento a escola funcionava o ano todo. Durante os meses quentes do verão os meninos passavam na escola não mais que 4 horas por dia. Se o dia estava quente demais, os alunos podiam ser dispensados. As aulas eram antes das 10 e depois das 15 horas. Ocorria uma interrupção de 5 horas durante a parte mais quente do dia.
                A sala de aula continha uma pequena plataforma elevada onde o professor se assentava de pernas cruzadas. Diante dele, numa fila inferior, estavam os rolos contendo passagens escolhidas do Antigo Testamento. Não havia livros de texto. Os alunos assentavam-se no chão aos pés do professor (Atos 22:3).
                As classes não eram classificadas por idade; todos os alunos estudavam na mesma sala. Por este motivo, a instrução deles tinha de ser muito individualizada. O professor copiava um versículo para os alunos menores e estes o recitavam em voz alta até que o tivessem aprendido. Entrementes, o professor ajudava os meninos maiores a ler um trecho de Levítico. Para nós, provavelmente o barulho causaria muita distração, mas os meninos israelitas logo se acostumavam com ele. Os sábios acreditavam que se o versículo não fosse repetido em voz alta, logo seria esquecido.

Fonte:  PACKER, James. TENNEY, Merrill. WHITE, William. Vida Cotidiana Nos Tempos Bíblicos. Editora Vida. São Paulo, Brasil.