O VELHO E O ANJO DA MORTE (Conto da tradição popular judaica)

 

Num pequeno vilarejo da Europa Oriental, um velho camponês transportava em seus ombros uma pesada carga de lenha. Exausto, com as pernas bambas e os braços doloridos, largou o pesado fardo no chão e disse com raiva:

Quando será que a morte virá me pegar? Não aguento mais essa vida!

Para sua sorte - ou azar -, naquele exato momento o Anjo da Morte passava bem em cima de sua cabeça e, ao ouvir a súplica do camponês, se deteve. Passados alguns segundos, ele apareceu na frente do velho e disse:

— Aqui estou! Você me chamou?

O velho levou um susto tão grande com a aparição do Anjo que quase desmaiou. Recuperando o fôlego, respondeu baixinho:

— Chamei.

O Anjo da Morte se aproximou um pouco mais e disse com seu hálito gelado:

— E o que você quer?

O velho camponês, que estava tremendo da cabeça aos pés, respondeu:

— Que você me ajude a colocar esta carga de lenha de volta sobre os meus ombros.

O Anjo da Morte deu um sorriso, ajudou o velho e seguiu seu caminho.


 

***

O conto acima, atribuído à tradição popular judaica, nos ajuda a refletir sobre diversos aspectos da vida. Gostaria de destacar como, muitas vezes, devido ao peso das dificuldades, nos precipitamos em nossos pensamentos, desejos e palavras, sem a devida reflexão.

 O velho do conto não desejava realmente a morte; ele desejava o alívio da pesada carga que carregava. A solução para o seu problema não era morrer, mas encontrar alívio para o peso que levava sobre os ombros.

 Quando a morte apareceu diante dele, o velho percebeu que a vida tinha muito mais valor do que o fardo sobre seus ombros.

 Essa história também nos lembra de duas importantes lições bíblicas. A primeira é que somos chamados a ajudar uns aos outros a carregar os fardos da vida:

 “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo.” Gálatas 6:2

 

A segunda é que nem tudo o que pensamos deve ser dito. A sabedoria também consiste em refletir antes de falar:

 “O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.” Provérbios 13:3

 

Uma reflexão final:

Será que nossos fardos têm ofuscado nossa visão do valor da vida? E será que temos ajudado nossos irmãos a carregar suas pesadas cargas, para que suas vidas não se tornem amargas?


Por Alexandre L. M. Brandão

Refletindo sobre a vida





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