“Os muitos abusos da igreja não podiam passar despercebidos. A diferença entre seus ensinamentos e seus atos era bastante grande, e até os mais broncos podiam percebê-la. A concentração do dinheiro obtido por todos os métodos, quaisquer que fossem, era comum. Enéias Silvio, mais tarde papa Pio II, escreveu ‘nada se consegue em Roma sem dinheiro’ (*). E Pierre Berchoire, que viveu na época de Chaucer, escreveu também: ‘ Não é com os pobres que o dinheiro da igreja é gasto, mas com os sobrinhos favoritos e os parentes dos padres (**)’”
DOCUMENTO
Uma canção do século XIV mostra o sentimento popular em relação a todo tipo de sacerdotes, de alto a baixo:
Vejo o papa seu sagrado compromisso trair
pois enquanto os ricos sua graça ganham sempre
seus favores aos pobres são negados.
Procura reunir a maior riqueza possível
obrigando os cristãos a obedecer cegamente,
para que ele possa deitar-se entre roupas de ouro...
Nem são melhores os honrados cardeais,
que desde a manhã cedo até noite fechada
passam o tempo empenhados em imaginar
um modo de enganar a toda gente...
Nossos bispos também estão mergulhados em pecado semelhante, pois impiedosamente arrancam a própria pele
de todos os padres que por acaso vivam bem.
Por ouro podemos conseguir seu selo especial
a qualquer ordem, não importa o que diga.
Sem dúvida somente Deus pode pôr fim a suas roubalheiras...
Também entre todos os padres e clérigos menores
há, sabe Deus, grande número cujas obras e vida diária
contrariam os ensinamentos que pregam quotidianamente...
Pois, cultos ou ignorantes, estão sempre dispostos
a fazer comércio de todo sacramento,
inclusive da própria missa sagrada...
É certo que monges e frades exibem com estardalhaço
as regras austeras que estão sujeitos.
Esse, porém, é o mais vão de todos os fingimentos.
Na verdade, vivem duas vezes melhor que sabemos,
como fazem sempre em casa, apesar do voto
e de toda sua falsa exibição de abstinência...
(*) G.G. Coulton, Encyclopaedia Britannica, vol. XIX, p. 34 (14. ed.). Artigo sobre a Reforma.
(**) Ibid.
HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. Rio de Janeiro, RJ, Editora Guaanabara, 1986.
Para Refletir
As “igrejas Evangélicas” estão iguais à Igreja Católica Medieval
A religião tem sido ao longo da história fator motivador para conflitos e até mesmo guerras entre povos e nações. Hoje, por exemplo, muitos evangélicos se deleitam com os inegáveis relatos históricos de corrupção da igreja católica, e os católicos por sua vez não deixam escapar as denúncias de corrupção de pastores e líderes evangélicos da atualidade. A verdade, porém, é que toda instituição religiosa, seja ela católica ou protestante, ou de alguma religião não cristã é falha e passível de corrupção.
Deus, Jesus Cristo e o Evangelho é muito maior que qualquer religião, não podendo ser contido, aprisionado e monopolizado por uma determinada igreja. As instituições é que devem servir a Deus e não Deus às instituições. Ele, Deus, só está presente numa instituição se ela reflete aquilo que ele é! Caso contrário é apenas o engano com voz de verdade.
Acima temos parte do texto de um conceituado livro de História que revela a corrupção da igreja católica medieval. E mais importante que o texto de Leo Huberman, é as citações das pessoas que viveram no tempo em questão (consistindo assim documento histórico).
Temos a frase de Enéias Silvio, o papa Pio II:
“nada se consegue em Roma sem dinheiro”.
E depois a de Pierre Berchoire:
“Não é com os pobres que o dinheiro da igreja é gasto, mas com os sobrinhos favoritos e os parentes dos padres”
Ora, o que isso tem de diferente com as igrejas evangélicas dos nossos dias, sobretudo as pentecostais, com seus programas televisivos?
Notemos, por exemplo, os pastores, bispos e supostos apóstolos, como tem manipulado pessoas com a venda de todo tipo de objetos que eles vinculam a fé, apenas para arrecadarem mais e mais dinheiro. E o que piora a situação, o dinheiro arrecadado não se destina (pelo menos não é visto) para a promoção do bem social. Por exemplo, é fácil ver na TV um Silas Malafaia ou Morris Cerullo “profetizando” para as pessoas darem 900,00 reais; mas seria até um milagre vê-los falando algo como Jesus: “Vende o que tens e ajuda os pobres” antes eles diriam: “vende o que tens e traga para meu ministério”! Dessa forma, se tornam todos pastores da teologia da prosperidade iguais ou piores aos papas e clérigos católicos medievais.
Quantas Megas Igrejas você já viu? Várias!
Quantas escolas, hospitais, asilos e orfanatos evangélicos (especialmente das igrejas pentecostais e neopentecostais) você já viu? Quase nenhuma!
Pastores de jatinho, carros importados, etc, não é novidade! O luxo dos líderes religiosos não é coisa nova! A canção (digo que até profética) da Idade Media diz:
Vejo o papa seu sagrado compromisso trair
pois enquanto os ricos sua graça ganham sempre
seus favores aos pobres são negados.
Procura reunir a maior riqueza possível
obrigando os cristãos a obedecer cegamente,
para que ele possa deitar-se entre roupas de ouro...
Na Idade Média tudo que a igreja católica impunha o povo fazia. O povo realmente obedecia cegamente, dando até mesmo o que tinha para sobreviver! Quantas pessoas hoje não dão até o dinheiro de comprar um remédio para mãe, numa igreja, porque tal pastor lhe prometeu a cura pelo voto pago em dinheiro, mas se a tal cura não ocorre foi porque o doente não teve fé, e a instituição religiosa não moverá um centavo que seja para socorrer seus filhos necessitados.
Contudo, temos mais ainda, o inicio da estrofe acima, revela como os ricos eram favorecidos e os pobres esquecidos. Hoje um político de renome é facilmente recebido no púlpito de uma igreja, ainda que ele nem mesmo evangélico seja, porém uns sem número de cristãos simples passam a vida inteira apenas sentados na platéia do espetáculo gospel. Toda Marcha “para Jesus” tem a presença das lideranças políticas que inclusive aproveitam para deixar uma mensagem de “apoio”.
É então que eu abro o evangelho e tenho que dizer como disse um não cristão:
“Quando leio a Bíblia me sinto cristão, mas quando vejo as atitudes dos cristãos sinto vergonha de ser cristão” (Gandhi).
Desanimo-me cada vez mais com as instituições cristãs, mas jamais me desanimo de Cristo, pois sei quem ele é e que é muito maior que qualquer instituição que se diga dEle.
O cristianismo é indefensável, seja ele católico, seja protestante ou evangélico. Suas más obras testificam contra si mesmos. Mas Cristo sim, reflete o amor, a verdade e a justiça, portanto leia os evangelhos e creia Nele, só Nele! Observe as palavras e obras de Jesus, (que alias foram bem diferentes desses líderes católicos-evangélicos).
Obs.: Sei da sinceridade e verdade de muitas instituições cristãs que realmente buscam serem como Cristo ensinou!
Obs.: Também sei que dentre as muitas igrejas evangélicas pagãs há um povo que de coração quer servir ao Senhor.
(Alexandre L M Brandão, em busca do evangelho puro e simples como ele é)

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